Paraná Extra

As religiões e as vítimas de abuso sexual

Claudio Henrique de Castro

Nos últimos anos surgiram notícias de abusos sexuais cometidos por religiosos no exercício das suas funções.

A violência sexual contra crianças e adolescentes deixa traumas por toda a vida, apatia, intensa erotização das relações afetivas, vergonha e reclusão social são algumas das consequências.

Desde padres, bispos, pastores, pais de santos, médiuns, sacerdotes, gurus e quaisquer outros líderes religiosos que prometem ser os guardiões da moralidade, exemplos de virtude mas que podem cometer atos de abuso sexual contra crianças, adolescentes e adultos.

De forma alguma estamos afirmando que a maioria ou que todos eles se comportam desta forma, ou que isto sempre acontece. É uma minoria perversa que comete esses terríveis crimes e que está escondida dentro de organizações religiosas.

O fato é que diversas notícias e até filmes foram produzidos (Spotlight: segredos revelados) dando conta de centenas de vítimas que estavam em silêncio e que a partir de uma primeira denúncia resolveram expor seus sofrimentos dos abusos sexuais em instituições religiosas, na infância e na adolescência.

Esse grave problema deve passar, necessariamente, por tratamento psicológico e terapêutico, e as medidas judiciais devem ser consideradas, como a punição criminal dos (as) envolvidos (as) e a necessária indenização que deve ser paga também pela instituição religiosa.

As vítimas tentam apagar de toda forma a ocorrência do trauma e por isto evitam falar a respeito e até denunciar o abuso.

O crime também pode ocorrer dentro ou fora da família, por exemplo por padrasto, tio, vizinho da confiança, no ambiente escolar ou cuidadores dependendo do isolamento e até no ambiente religioso e passar décadas no esquecimento das vítimas, sem ser revelado.

Também não é incomum denúncias falsas, como ocorreu em São Paulo no famoso caso da Escola da Base em 1994, no qual houve denúncias, sem provas, mas amplamente divulgadas pela imprensa. Os donos da escola e funcionários tiveram suas vidas arrasadas, e o caso foi arquivado pela absoluta falta de provas.

É um exemplo no qual houve a divulgação dos supostos crimes e nada foi provado.

O fato é que a vítima tem que tomar uma atitude e ultrapassar a barreira do silêncio.

A forma pela qual os pais podem identificar a ocorrência de possíveis abusos é amplamente divulgada na internet (https://www.bbc.com/portuguese/salasocial-39696399), e o ideal é consultar um profissional habilitado para investigar a suposta ocorrência.

As autoridades policiais, as procuradorias da infância e juventude, os conselhos tutelares e até um posto de saúde podem ser acionados e, principalmente, o contato com um (a) advogado (a) da confiança da família ou da vítima para as providências criminais e cíveis pertinentes.

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