Paraná Extra

Bloqueados R$ 166 milhões em bens e contas financeiras do ex-governador Beto Richa

A 23.ª Vara Federal de Curitiba determinou o bloqueio de até R$ 166 milhões em bens e contas financeiras do ex-governador do Paraná Beto Richa, do PSDB, além de recursos de familiares e empresas ligadas a ele. A medida atinge a ex-primeira-dama Fernanda Richa, um dos filhos do casal, André Richa, a BFMAR Participações S/A e a Ocaporã Administradora de Bens Ltda.

A decisão é do juiz federal substituto Paulo Sérgio Ribeiro, que atende a um pedido do Ministério Público Federal, em ação penal em Richa, a esposa, o filho e o contador da família, Dirceu Pupo Ferreira, são réus. O processo, decorrente da Operação Integração, apura um esquema de pagamento de propina feito concessionárias de rodovias no Paraná a agentes públicos.

Os R$ 166 milhões bloqueados de Beto Richa correspondem à soma do valor de R$ 4,7 milhões que ele teria recebido em propina; danos causados aos usuários dos serviços públicos estimados em R$ 82,5 milhões; e uma possível multa máxima aproximada de 79 milhões.

O juiz também determinou o bloqueio R$ 4,5 milhões de Fernanda Richa, André Richa e do contador Dirceu Pupo Ferreira. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, Beto Richa teria assinado termos contratuais aditivos ilícitos de 2011 a 2018 para beneficiar as concessionárias.

Em contrapartida, ele teria recebido R$ 2 milhões em doações oficiais para campanha e R$ 2,7 milhões em espécie. A maior parte, de R$ 2,63 milhões, teria sido usada para compra de imóveis pela Ocaporã Administradora de Bens, empresa que pertence à esposa e aos filhos de Beto Richa. O Ministério público Federal estima que pelo menos R$ 8,4 bilhões tenham sido desviados por meio de obras que não foram executadas e do aumento das tarifas em concessões do Anel de Integração no Paraná.

Pelo menos R$ 35 milhões teriam sido movimentados em propinas, segundo cálculos dos procuradores. Beto Richa já foi preso duas vezes. A última delas, no final de janeiro, durante a fase de número 58 da Operação Lava Jato. Ele foi solto menos de uma semana depois por meio de um habeas corpus e um salvo-conduto concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Antes, em setembro, o ex-governador também havia sido preso, em decorrência da Operação Rádio Patrulha. Ele foi solto por habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal.

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