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Botulismo já teria provocado a morte de duas pessoas

Os quatro casos recentemente confirmados de botulismo em municípios da região Noroeste – dos quais dois resultaram na morte dos pacientes – levaram a Secretaria Estadual de Saúde a determinar a interdição cautelar de todos os lotes do Salsichão Piquiri em nylon. O produto é fabricado pela Indústria e Comércio de Carnes e Frios Richter Ltda., de Alto Piquiri, e estaria contaminado com toxina botulínica.

A toxina, que em concentração diminuta também é utilizada para suavizar marcas de expressão na pele e tratar o excesso de suor nas mãos e axilas, foi apontada em investigação da Secretaria da Saúde como agente responsável pela transmissão da doença para três moradores de Alto Piquiri e um de Iporã. Os quatro homens foram socorridos e medicados em hospitais de Umuarama.

Apesar de – ou até mesmo em função de – ser uma intoxicação relativamente rara nos dias atuais, o botulismo apresenta alta taxa de letalidade. Segundo informações da 12ª Regional de Saúde, que fica em Umuarama, cerca de 70% dos pacientes contaminados pela toxina morrem antes de receber o tratamento adequado. Além dos quatro casos confirmados, outras dez pessoas com suspeita de intoxicação estão sendo acompanhadas pelo Centro de Informações Estratégicas e Respostas Rápidas de Vigilância em Saúde (CIEVS-PR) da 12ª RS.

Para evitar novos casos, a Secretaria da Saúde orienta os cidadãos que porventura tenham adquirido o Salsichão Piquiri em nylon a não consumir o produto, pelo menos até que todos os exames toxicológicos sejam concluídos nas amostras coletadas em Alto Piquiri e nos comércios da região. A secretaria alerta ainda que, sempre que possível, o produto deve ser devolvido no mesmo estabelecimento em que foi adquirido. Neste caso, a empresa fabricante restituirá o valor gasto com o salsichão.

O advogado Ângelo Aparecido Degan, que representa a Indústria e Comércio de Carnes e Frios Richter Ltda., fabricante do Salsichão Piquiri em nylon, disse que a empresa está colaborando de todas as maneiras com as autoridades de saúde. Segundo Degan, a Richter já providenciou o recolhimento de toda a produção do embutido que teve sua qualidade questionada. “Fizemos isso de forma preventiva, até porque a empresa ainda não recebeu nenhum documento da Secretaria Estadual da Saúde ou da Regional de Saúde de Umuarama que comprove, com exames laboratoriais, esta suposta contaminação que dizem existir no produto”, afirmou Degan.

Dos quatro casos notificados de contaminação pela toxina botulínica na região, dois pacientes chegaram a receber tratamento, mas não resistiram e vieram a falecer poucos dias depois de serem atingidos pelo botulismo. Outros dois pacientes sobreviveram, sendo que um já recebeu alta do hospital e outro continua internado.

Dentre os pacientes que foram a óbito, o primeiro apresentou sintomas em 14 de janeiro e recebeu tratamento, mas morreu em 25 de janeiro. Naquela ocasião, ele não teve seu caso diagnosticado como botulismo, o que pode ter contribuído para o agravamento do quadro geral.

O segundo paciente morto pela doença apresentou os primeiros sintomas no dia 12 de fevereiro e foi internado em 15 de fevereiro. Neste caso, porém, o quadro se agravou porque o paciente era portador de outras patologias (anemia e problemas renais), vindo a falecer em 20 de fevereiro.

O primeiro contaminado pela doença que sobreviveu teve os primeiros sintomas no dia 25 de janeiro, e após receber o soro antibotulínico apresentou resposta terapêutica positiva, com estabilização do quadro e melhora até obter alta hospitalar na semana passada. A resposta ao tratamento por soro específico, neste paciente, confirmou o diagnóstico de botulismo. Já o segundo paciente que sobreviveu apresentou sintomas graves em 21 de fevereiro e encontra-se internado em um hospital de Umuarama.

 

Botulismo

 

O botulismo é uma doença grave causada pela ingestão da toxina botulínica presente em alimentos embutidos, enlatados e em conserva produzidos em condições sanitárias precárias, o que permite a contaminação pelo esporo da bactéria Clostridium botulinum.

Os principais sintomas são visão turva, visão dupla, saliva grossa, insuficiência respiratória, dificuldade para falar e engolir, náusea, vômito, diarréia, dor abdominal, vertigem, tontura e paralisia.

Entre 60% e 70% dos casos sem tratamento evoluem para a morte, que pode ocorrer entre 12 horas e 10 dias após a ingestão do alimento contaminado. O tratamento ocorre em regime hospitalar, com a administração de soro específico para a doença.

 

(Umuarama Ilustrado)

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