Paraná Extra

Confiança do industrial paranaense cai pelo segundo mês seguido

Com base principalmente nas condições das empresas e da economia nos últimos seis meses, os empresários do Paraná revelaram estar mais cautelosos em fevereiro. A pesquisa mensal divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), mostrou que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu pelo segundo mês seguido, chegando a 62,9 pontos. O valor ainda é bem acima dos 50 pontos, na área de otimismo, mas revela uma trajetória de queda. O resultado é o mais baixo desde agosto do ano passado, quando havia somado 61,4 pontos.

Apesar disso, o estudo aponta que quando o empresário avalia a situação dos negócios e da economia no futuro, próximos seis meses, prevalece o otimismo. O ICEI é formado por dois indicadores. De condições, últimos seis meses, e de expectativas, projeções para o futuro. O primeiro teve maior impacto no resultado final de fevereiro. Ficou em 57,6 pontos, enquanto o de expectativas chegou a 65,6 pontos.

“Houve uma relativa piora no olhar do industrial com relação ao desempenho de sua empresa e da economia nos últimos meses. Além disso, o início do ano costuma ser mais lento com relação ao ritmo da atividade econômica e talvez esta percepção tenha influenciado a pesquisa”, avalia o economista da Fiep, Evânio Felippe”.

Quando questionados sobre as condições gerais de suas empresas nos últimos seis meses, 21% dos entrevistados afirmaram que elas pioraram, 45% responderam que ficaram estáveis e 28% disseram que houve melhora. Em janeiro, apenas 9% haviam confirmado que a situação era ruim, 35% informaram estabilidade e 43% tiveram melhora nas condições.

“Quanto mais lento o ritmo de imunização da população, o industrial entende que será mais difícil a retomada da atividade econômica”, avisa o economista. A incerteza com relação à aprovação das reformas tributária, administrativa e fiscal no Congresso Nacional, somada à dúvida com relação à continuidade dos programas de auxílio para pessoa física e para as empresas – que ajudaram a economia no início da pandemia até o fim do ano passado, são outros indicativos que interferem na opinião dos empresários.

Outra preocupação é a alta taxa de desemprego divulgada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (PNAD), com a situação do país até novembro de 2020. “São mais de 14 milhões de pessoas sem renda no país, o que prejudica a atividade de consumo e, consequentemente, afeta também o ritmo de produção nas indústrias”, reforça.

De acordo com ele, as incertezas com relação aos rumos da economia apontam para uma “perda de fôlego” no setor nos últimos meses. Apesar de ter retomado suas atividades de forma bem mais acelerada do que os segmentos do comércio e de serviços, a produção industrial nacional vem diminuindo seu ritmo nos últimos meses. “Os números mostram uma postura mais cautelosa das empresas, que viam 2021 como o ano da recuperação. Mas a morosidade na vacinação e na aprovação das reformas, a escassez de matéria-prima e a elevação dos custos de produção, decorrente da depreciação do câmbio, podem justificar o impacto na opinião dos gestores”, resume.

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