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Defensoria vai à Justiça para retirar cédula de R$ 200 de circulação

Ontem a Defensoria Pública da União recorreu à Justiça a fim de remover a cédula de R$ 200 de circulação. O motivo se deve ao fato de que a nova nota tem as mesmas dimensões da cédula de R$ 20, o que dificulta sua identificação por parte das pessoas com deficiência visual.

A ação foi protocolada na última sexta-feira é assinada em conjunto com a Defensoria Pública do Distrito Federal e com a Organização de Cegos do Brasil, prevendo multa de R$ 50 mil por dia em caso de descumprimento.

No final de julho, o BC anunciou oficialmente que o real contará com mais uma cédula, a de R$ 200, que tem como personagem o lobo-guará. O que estimulou a decisão foi a crescente demanda pelas pessoas por dinheiro em espécie para guardar em casa durante a pandemia. Contudo, a movimentação desse dinheiro, principalmente em notas altas, caminha ao lado de um problema antigo no varejo brasileiro: a falta de troco nos caixas do comércio.

Também de acordo com estudo do BC, publicado em 2018, 96% dos brasileiros ainda utilizam o dinheiro em pagamentos no dia a dia, sendo que, destes, 60% afirmaram que o dinheiro é a forma que utilizam com maior frequência em suas compras.

Para Rodrigo Doria, CEO e fundador da Super Troco e que acompanha de perto esse setor, a nota de R$ 200 não deve potencializar o problema atual de falta de notas pequenas e moedas.

“A nota de maior valor não necessariamente agravará a falta de troco no varejo, porque elas são muito pouco usadas. Por exemplo, estima-se que apenas 10% da população use notas de R$ 100 para fazer pagamentos. Contudo, isso não significa que o momento não mereça também nossa atenção aos valores inferiores. O brasileiro ainda tem uma cultura de não carregar consigo moedas e notas baixas, cerca de 30% de todas as moedas estão represadas nas casas ou no fundo das bolsas, fora circulação”.

Porém, o executivo também faz uma reflexão sobre um possível comportamento dos consumidores, que podem inserir estas novas notas de valores maiores no varejo. “Ainda não é possível prever o real comportamento das pessoas em posse das notas de R$ 200, se vão guardar a cédula com medo de uma crise financeira, como o governo imagina, ou se vão colocá-la em circulação no mercado. No entanto, se elas forem usadas em pagamentos do dia a dia, aí sim teríamos um novo desafio pela frente. Além da falta de moedas e cédulas de baixo valor, o lojista pode passar a sofrer também com a falta de cédulas mais altas de R$ 10, R$ 20, R$ 50 e até R$ 100″.

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