A Secretaria Nacional de Aviação Civil confirmou, nesta segunda-feira (9), que vai alterar o edital de concessão de aeroportos da região Sul, inserindo soluções para que o Aeroporto Internacional Afonso Pena tenha capacidade de operar voos diretos e sem restrições para os Estados Unidos e Europa. A mudança, que atende a um pedido de entidades da sociedade civil e do setor produtivo paranaense, incluindo a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), foi anunciada durante audiência pública realizada em São José dos Pinhais.

A confirmação foi feita pelo diretor de Políticas Regulatórias da secretaria, Ricardo Fonseca. Atualmente, a pista principal do Afonso Pena tem pouco mais de 2,2 quilômetros de extensão. Porém, como o aeroporto está a cerca de 900 metros acima do nível do mar, o comprimento é insuficiente para que aeronaves de grande porte decolem com plena capacidade, o que impede a operação de voos diretos de longa distância, tanto de passageiros quanto de cargas. Para que isso ocorra, é necessária uma pista de 3 quilômetros.

Segundo Fonseca, o edital não deverá especificar qual obra será realizada pela concessionária – se o prolongamento da pista principal atual ou a construção de uma nova pista. Mas o diretor garantiu que o documento vai exigir que sejam realizados os investimentos necessários para que o aeroporto possa operar voos diretos de longa distância.

Durante a audiência, o gerente de Assuntos Estratégicos da Fiep, João Arthur Mohr, havia se manifestado justamente pedindo essa alteração no edital, reforçando solicitação que já havia sido enviada via ofício pelo G7, grupo das principais entidades do setor produtivo paranaense. “Curitiba precisa de uma pista com comprimento suficiente para decolar aeronaves de grande porte, que alcancem a Europa e os Estados Unidos, em voos diretos e sem restrições. Hoje, é a única cidade de grande porte do Brasil que não tem uma pista com características para esses voos”, disse.

Sobre a concessão
O Afonso Pena faz parte da 6ª rodada de concessões de aeroportos do governo federal. Ele será licitado junto com outros oito terminais que compõem o chamado Bloco Sul. Os outros são Foz do Iguaçu, Londrina e Bacacheri, no Paraná; Navegantes e Joinville, em Santa Catarina; e Pelotas, Uruguaiana e Bagé, no Rio Grande do Sul. No mesmo processo, serão concedidos também os blocos Norte e Central.

Assim como na última rodada, um mesmo proponente pode arrematar os três blocos. A concessionária deverá ter em sua composição um operador aeroportuário com, no mínimo, 15% de participação societária e experiência de 1 um ano no processamento de pelo menos 1 milhão de passageiros para os blocos Central e Norte e 5 milhões de passageiros para o Bloco Sul. A previsão é que a licitação ocorra no terceiro trimestre deste ano.