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Faltou sala e Conselho de Ética da Câmara transfere julgamento de Meurer

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados adiou para a semana que vem a instauração do processo disciplinar contra o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR), primeiro político com foro privilegiado a ser condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava Jato. A reunião deveria ter acontecido durante a manhã de hoje (27), mas todos as 17 salas de comissões da Casa estavam ocupadas. Em razão do jogo da seleção brasileira na Copa de Mundo nesta quarta-feira, o presidente do Conselho de Ética Elmar Nascimento (DEM-BA) resolveu marcar um novo encontro apenas para a próxima semana.

Normalmente, os trabalhos na Câmara dos Deputados se concentram entre terças-feiras e quartas-feiras. Nos demais dias da semana, a maioria dos parlamentares atua em suas bases eleitorais, o que afeta o quórum da Casa. A representação contra Meurer foi movida pelos partidos REDE e PSOL por quebra de decoro parlamentar. Esta é a segunda vez que a análise da representação no Conselho de Ética é adiada. Na semana passada, devido ao início da Ordem do Dia no plenário da Câmara dos Deputados, o colegiado ficou impedido de dar prosseguimento ao caso. Pelo Regimento Interno, nenhum colegiado da Casa pode tomar decisões – como instaurar processo disciplinar – de forma concomitante com os trabalhos do plenário.

Nelson Meurer foi condenado em maio pela Segunda Turma do STF por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, após denúncia da Procuradoria-Geral da República, no âmbito da Lava Jato. Segundo a PGR, teriam sido feitos pelo menos 161 repasses ao PP e ao deputado, que totalizaram R$ 357,9 milhões, entre 2006 e 2014, em esquema envolvendo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff. Segundo a PGR, Meurer praticou corrupção por dar apoio e manter o ex-diretor na Petrobras e permitir os esquemas de corrupção em benefício do PP.

Com ajuda de seus filhos Nelson Meurer Júnior e Cristiano Augusto Meurer, o parlamentar teria recebido parte das vantagens indevidas. De acordo com a denúncia, Meurer teria solicitado e aceitado, de forma periódica, pelo menos R$ 29,7 milhões, correspondentes a 99 repasses de R$ 300 mil mensais, fruto do desvio de recursos no âmbito da Diretoria. Todas as irregularidades são negadas pelo parlamentar.

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