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FGV vê construção civil em desaceleração

A atividade da construção civil está em desaceleração, segundo dados da Sondagem Conjuntural do Setor da Construção, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), em parceria com o Banco Central (BC).

De acordo com a pesquisa, o Índice da Situação Atual diminuiu 13,5% no trimestre encerrado em novembro deste ano ante o mesmo período de 2010. O índice, que vai de 0 a 200, ficou em 118,4 pontos em novembro. Valores acima de 100 pontos indicam que as empresas estão otimistas.

O Índice de Expectativas (tendências de negócios e demanda futura) registrou queda de 6,9%, no mesmo tipo de comparação, enquanto o de Confiança caiu 10,2%.

A sondagem foi feita com 672 empresas que empregam 212 mil pessoas. O setor empresarial da construção civil representa 5% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, e 8% dos empregos do Brasil.

Apesar de os resultados deste ano terem caído em relação a 2010, a coordenadora de Projetos da Construção Civil do Ibre, Ana Maria Castelo, avalia que o empresário continua otimista tanto com a situação atual quanto em relação ao futuro. “Dentro da nossa série, nunca o otimismo foi tão baixo. Mas ainda é otimismo, não é pessimismo”, disse. Segundo ela, no ano passado houve um “aquecimento muito grande” no setor, com crescimento estimado em 17%. “De lá pra cá, houve redução do ritmo de crescimento”, disse. Ela acrescentou que, para este ano, a expectativa é que o setor cresça em torno de 5%. Apesar de a projeção ser menor para este ano, o setor vem crescendo desde 2006, segundo a Ana Maria.

De acordo com a pesquisa, o principal fator que limita o crescimento do setor é a escassez de mão de obra qualificada. “No setor de edificações, a mão de obra continua sendo um fator importante, muito acima da média do setor”, destacou. Já para o segmento de infraestrutura, o problema está na demanda, uma vez que neste ano houve redução dos investimentos do governo. “Foi intenção do governo desacelerar a atividade”, disse. Já no caso do segmento das edificações, o crescimento da renda das famílias e do crédito impulsiona as vendas do setor habitacional.

Na divulgação da sondagem, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, disse que a pesquisa é importante para ampliar as informações disponíveis. “No Brasil, temos muitas informações, muitas instituições produzindo informação sobre inflação, mas sobre atividade o número é mais restrito”, disse.

 

(Agência Brasil)

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