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Moro diz na Espanha que Bolsonaro não é risco para democracia

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou hoje (3), que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, não representa um risco para a democracia e o Estado de Direito no Brasil. Ele participou de um fórum da Fundação Internacional para a Liberdade (FIL), em Madri, e disse que não vê “um risco de autoritarismo ou contra a democracia” em Bolsonaro.

Em seu discurso no fórum, presidido pelo escritor Mario Vargas Llosa, Moro afirmou que também não vê a possibilidade de o novo governo aprovar medidas que “discriminem as minorias”. Moro disse que o resultado da eleição presidencial é o profundo impacto da indignação causada pela “corrupção sistemática” descoberta nos últimos anos.

O futuro ministro detalhou a atuação da Justiça nos casos de corrupção dos últimos anos, especialmente a Operação Lava Jato, que revelou as irregularidades na Petrobras, e ressaltou que “ninguém foi condenado por suas ideias políticas”.

Moro disse que aceitou a proposta de Bolsonaro para ser ministro da Justiça porque é preciso dar uma “resposta institucional” fora dos tribunais para problemas como a corrupção, o crime organizado e a violência, através de “um endurecimento” das leis.

Considerou que esses males “afetam a qualidade da democracia em si própria” e lembrou que no Brasil são cometidos 60 mil assassinatos por ano, dos quais apenas 10% são solucionados, algo que constitui “uma calamidade”.

Moro afirmou que não planeja ser candidato à Presidência da República. “Não tenho mais ambições além da minha agenda política” nessas reformas jurídicas”, ressaltou.

Ao apresentar Moro, Vargas Llosa afirmou que o ex-juiz é “exemplo da revolução silenciosa” dos brasileiros opostos à corrupção institucionalizada no país.

O escritor e ensaísta lembrou que se fala que a eleição de Bolsonaro representa a chegada da extrema-direita e do fascismo ao poder, e reconheceu que ele tende a “desconfiar” desses rótulos.

(Agência Brasil)

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