Paraná Extra

O transporte aéreo em tempos de pandemia

Claudio Henrique de Castro

Como ficam os consumidores, que viajam em aeronaves lotadas, em plena pandemia?

A Agência Nacional de Aviação Civil – ANC, recomenda que no aeroporto para a redução do risco de infecção pelo coronavírus, deve-se observar a distância, sempre que possível, de aproximadamente 2 metros entre os passageiros em filas e espaços comuns do aeroporto.

Segundo a ANAC, na aeronave, por conta do sistema de filtragem que renova o ar a cada 3 minutos e captura cerca de 99% das partículas no ar e não há recomendação de distanciamento, daí as aeronaves lotadas.

Será que se pode confiar nisto?

Uma pesquisa da Universidade Emory, em Atlanta, acompanhou 1540 passageiros da classe econômica, 41 comissários em 10 voos nos EUA, com duração de 3 a 5 horas.

A conclusão da pesquisa é que o risco de transmissão de doença respiratória é alto para os passageiros sentados a até 1 metro de um infectado, e é improvável para quem está mais distante. Assim, o risco maior é para quem está à frente, atrás ou ao lado de um passageiro doente. Mas os movimentos de passageiros e tripulantes podem aumentar o risco.

A zona de risco a ser investigada, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), compreende duas poltronas laterais e duas fileiras para trás ou para a frente do passageiro.

Um indivíduo em movimento na aeronave pode se aproximar de um eventual contaminado. Um passageiro sentado na poltrona do corredor tem mais contato com indivíduos em movimento. Aglomerações de pessoas nos corredores da aeronave esperando a porta se abrir para o desembarque também são um problema, assim como filas desorganizadas de embarque, desembarque e na restituição das bagagens.

A suspensão da alimentação nos voos domésticos também seria uma medida recomendável, além de uma rigorosa limpeza da aeronave durante as escalas. Procedimentos semelhantes, em teoria, deveriam ser adotados no transporte coletivo e de aplicativos.

Considerando que os filtros da aeronave reduzem drasticamente o contágio, o risco de pegar o vírus da covid-19 em pleno voo é de 1 em 4.300 se a aeronave estiver lotada, mas se o assento do meio estiver vago, numa fileira de três, essas chances caem para 1 em 7.700.

Pode-se jogar dados em relação à saúde dos consumidores?

A recuperação das empresas aéreas em razão do período de estagnação não justifica aeronaves lotadas, os riscos de contágio estão presentes, ainda que reduzidos.

Dinheiro público para a recuperação das companhias aéreas está disponível, assim como estará o auxílio de 4 bilhões para empresas de transporte coletivo que não abrem mão, dos subsídios mensais milionários, às custas dos cofres públicos.

A ANAC deveria impor um distanciamento mínimo de poltronas no transporte aéreo, mas aceita aeronaves lotadas alegando que os filtros resolvem a prevenção do contágio.

Aliás, transporte coletivo das cidades tem filtros como as aeronaves?

Resumo de tudo isto: no Brasil as Agências foram criadas para representar os interesses dos grupos econômicos, veja os exemplos das omissões nas tragédias de Mariana e de Brumadinho (ANM), os Apagões no Amapá (ANEEL), os aumentos de convênios médicos cassados pela Justiça (ANS) e tantos outros, nos quais os interesses dos consumidores estão em último lugar.

 

Fonte: https://direitoparaquemprecisa.com.br

 

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