Paraná Extra

Os direitos dos pedestres

Claudio Henrique de Castro

No Brasil os direitos dos pedestres são amplamente desrespeitados. Muitos discursos, muitas mortes e poucos direitos efetivamente implantados.

Por exemplo, o direito à sinalização corretamente implantada. Na grande parte das rotatórias em Curitiba não há faixas de pedestres, não há sinalização adequada e a pintura da sinalização horizontal, no chão das ruas e vertical, das placas, estão na bacia das almas. Com isto os pedestres curitibanos atravessam alguns metros antes das rótulas, tornando ainda mais arriscadas suas travessias.

Poucas cidades possuem estimativas confiáveis sobre os atropelamentos, sobre os locais que ocorreram e quais as medidas que teriam que ser tomadas para evita-los ou reduzi-los.

Há poucas campanhas educativas e quando existem são mais retóricas que efetivas, sem uma avaliação criteriosa dos seus resultados, mas cumprem o papel de engordar as agências publicitárias, quase sempre as mesmas que produzem as campanhas eleitorais.

Em geral, as cidades foram feitas para os veículos motorizados e não para os pedestres ou outros meios alternativos de transportes.

Em Brasília avaliou-se o impacto da faixa de pedestre a partir de 1996 quando 266 pedestres perderam as vidas ao tentarem atravessar pistas do Distrito Federal, para o recente ano de 2018, com duas vítimas fatais (Correio Braziliense).

Além da sinalização é preciso desenvolver uma cultura de respeito ao pedestre e ao cidadão. Um país com forte histórico de desrespeito aos direitos humanos e de grandes diferenças sociais, ainda não possui o devido respeito aos pedestres.

Atualmente com um grande contingente de motoristas de UBER e outros aplicativos de transportes, permanentemente utilizam o telefone celular ao volante em total desacordo com o Código de Trânsito.

Há os motoristas distraídos em tempo integral que além de não perceberam a sinalização e os pedestres, estão em constante direção perigosa, pela atenção às redes sociais e o envio de mensagens ao volante.

No mundo, em 2018, o trânsito matou 1,35 milhão de pessoas. A Organização Mundial da Saúde informa que a principal causa de mortes entre crianças e jovens, de 5 a 29 anos, foi o trânsito.

A fiscalização também é causa da redução de mortes no trânsito, e não a indústria das multas provenientes de radares, principalmente, os sem licitação, que infestam as capitais brasileiras, sem estatísticas confiáveis e com um histórico de participação de autoridades públicas em propinas de toda ordem.

O fundamental é a conscientização dos motoristas, com campanhas e a educação para o trânsito seguro que devem ser de longo prazo, principalmente, nos bancos escolares.

Melhor que as leis é a consciência do perigo que o trânsito representa às vidas das pessoas, essencialmente, um sentido da responsabilidade coletiva pela segurança de todos.

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