Paraná Extra

País perdeu mais de 300 mil empresas em quatros anos

 

Levantamento recente do IBGE mostrou um preocupante dado sobre o cenário econômico e empresarial brasileiros: em 2017, o país fechou mais empresas do que abriu. Foram quase 700 mil companhias encerrando suas atividades, e apenas 676 mil, geralmente pequenas e médias, abrindo as portas. Ou seja, um saldo negativo de 23 mil. O ano de 2017 foi o quarto consecutivo em que o Brasil registrou mais fechamento do que abertura de empresas.

O quadro parece ainda mais preocupante quando se olha analisa o país desde a década de 1960. Nos últimos 56 anos a economia brasileira só teve queda significativa do PIB em apenas seis anos: 1981 e 1983, no fim da Ditadura Militar; em 1990, após a eleição de Fernando Collor, e de 2014 a 2016, no governo Dilma. A ressalva histórica é de Marcos Sardas, sócio e diretor da Exxe consultoria empresarial, especializada em gestão. Ele aponta que, ao olhar esses dados, fica evidente que apesar das diversas crises internacionais e recessões internas, o país mostra ter uma economia “relativamente sólida” e com potencial de recuperação, aponta.

O especialista aponta existirem três pilares que explicam os dados do IBGE. O primeiro está relacionado à conjuntura econômica atual, do país e do mundo: o país que acaba de sair de uma crise bastante rigorosa, além do fato de o mundo passar por um momento de demandas reprimidas e crescimentos moderados, das principais economias. Esse é um vetor importante para a lentidão de uma possível recuperação com maior vigor.

“Esperamos que em 2020 o país feche com um crescimento do PIB de cerca de 2,5%, o que demonstra um início importante de uma recuperação, mas não o suficiente, para dar vazão em termos de geração de empregos, que possa absorver o aumento populacional das últimas décadas, além de recolocar no mercado de trabalho os 11 milhões de desempregados atuais em um curto espaço de tempo. Para diminuir o percentual de desemprego e absorver toda a mão de obra que chega no mercado seria necessário o Brasil crescer a níveis chineses por quatro a cinco anos para acomodar todo esse contingente de mão de obra disponível. Infelizmente temos que considerar praticamente a última década como perdida e de difícil recuperação. Isso significou aumento do desemprego, queda na renda e consequentemente no consumo, contribuindo fundamentalmente para o fechamento das companhias”, analisa.

O segundo fator importante que explica a redução de empresas no país, é estrutural, relacionado diretamente aos modelos de estruturas funcionais nas empresas, geralmente inchados e preparados para escalas maiores de produção e de vendas. Anos recessivos, sem a devida “lição de casa” para se reorganizar e tornar suas estruturas mais “lean” são fatores que estimularam as dificuldades, ou mesmo quebras das empresas.

“Segmentos importantes da economia, como o atacado em geral, o automobilístico, varejo, construção civil e serviços, conhecidos por serem grandes geradores de empregos no país, reduziram as suas participações no PIB de forma significativa nos últimos cinco anos”, enfatiza ele.

Mas, como aponta Marcos, muito além da economia, empresários podem, e devem ficar atentos para estarem melhor preparados para tempos de recessão. Ele afirma que a má gestão também explica o fechamento das 300 mil empresas no país.

“Pequenas e médias empresas são as mais presentes no Brasil. Além de serem mais suscetíveis às crises, já que possuem, digamos, menos ‘gordura’ para cortar custos e pessoal, são companhias que têm dificuldade de se preparar para tempos mais difíceis. Muitas vezes fazem investimentos, sem uma análise efetiva de suas capacidades financeiras de honrá-los, não enxergam os sinais evidentes e crescentes de perda da resultados, desconhecendo as origens dos problemas, demoram a fazer as correções necessárias, e tem dificuldade de solicitar ajuda externa, comenta.

Segundo ele, a grande maioria das companhias nacionais são familiares: elas representam aproximadamente 65% do PIB e empregam 70% da mão de obra formal brasileira. Neste tipo de negócio, questões pessoais podem acabar se misturando e atrapalhando o negócio.

“É comum ver fundadores de empresas apegados à liderança, sem passar o bastão, sem inovar, sem buscar novas soluções para os seus negócios. Com novas tecnologias, e esse mercado em constante modificação é preciso saber a hora de abrir espaço, tanto para pessoas como soluções diferentes”, diz.

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