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Pão-de-fôrma se consolida entre as classes D/E com 70% de penetração

 Levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), em parceria com a consultoria Kantar WorldPanel, sobre os hábitos de consumo dos pães industrializados durante a pandemia, apontou que desde o início da quarentena, os comportamentos foram profundamente impactados. O pão-de-fôrma, por exemplo, sempre foi puxado pelo consumo das classes A/B, totalizando uma penetração de 80% dos lares brasileiros. O que ninguém esperava é que com a preferência dos consumidores por alimentos práticos, com maior shelf life e maior quantidade de refeições realizadas em casa, esse cenário iria mudar.

O estudo analisou uma mostra de 11.300 lares que retratam um universo de 53 milhões de famílias espalhadas por sete macrorregiões. Quando comparados o primeiro com o segundo quadrimestre de 2020, os dados destacam que pela 1ª vez a busca por pão industrializado nas classes D/E aumentou 11%, chegando a uma penetração de 70%. Ou seja, a cada ponto percentual registrado, são 570 mil novos lares consumindo o alimento.

“Este novo momento de consumo atrelado a busca mais intensa por produtos de categorias de alto giro foi essencial para a consolidação destas classes dentro do mercado de consumo. Com a nossa longa experiência, acreditamos que depois que o mercado atingiu esse patamar de operação, dificilmente ele sairá do carrinho dos consumidores”, explica Raquel Ferreira, Client & New Business Director BR da Kantar Worldpanel.

Passado o cenário de extrema incerteza, a necessidade de se estocar caiu e compras menores seguem em destaque do consumo no lar. É por meio dos mais jovens e da classe D/E que o consumo dentro do lar também incrementa sua penetração de uso semanal do pão industrializado. As pessoas estão indo mais à cozinha, porém o tempo está sendo crucial e os consumidores acabam optando por menus mais simples, com pratos que levam até 20 minutos para o preparo. Dentro do conceito de menu rápido, o sanduíche se destaca com o aumento de 34% das ocasiões de consumo por ser um alimento barato, prático e nutritivo. O café da manhã lidera com crescimento de 14%, os frios (presunto e queijo), seguidos de requeijão, estão entre os acompanhamentos preferidos da ocasião, seguido dos períodos do almoço (12%) e jantar (11%).

De acordo com Claudio Zanão, presidente da Abimapi, “o pão industrializado é uma opção nutritiva, saborosa e muito prática de alimento, que ocupa um papel cada vez mais importante na vida corrida de hoje. Atentos a isso, os fabricantes estão ampliando sua gama de produtos para focar nas diferentes necessidades das famílias e atender desde os consumidores que buscam saudabilidade até aqueles que se orientam pelo preço e quantidade das porções”, diz.

Entre os canais de compra que se sobressaíram está o atacarejo com 35% da preferência dos lares brasileiros, quando comparado o segundo quadrimestre deste ano com o mesmo intervalo do ano passado. Esse aumento equivale a 2,2 milhões de novos lares que passaram a comprar itens de cesta básica nos atacarejos. As categorias mais compradas nesse segmento de varejo são pão industrializado, salgadinhos, biscoito, refrigerante, leite UHT, filtro de papel, leite em pó, linguiça, creme de leite e açúcar. De acordo com a Kantar, esse canal de abastecimento respondeu por 75% das vendas dessas categorias. “Em relação às marcas, os destaques são aquelas com atuação local, a preferência é em função da comodidade do estabelecimento ser mais próximo de casa e pelo número menor de pessoas no ambiente, o que implica em evitar aglomerações”, conclui Raquel.

Só no primeiro quadrimestre de 2020 a categoria de pães industrializados registrou um aumento de 6,2% em faturamento e 7,1% em volume (R$ 1,8 bilhão e 143 mil toneladas). “Com crescimento ano a ano, o prazo de validade dos produtos acabou se tornando fator determinante, especialmente em meio a momentos ruins para a economia do país, como o que estamos passando agora frente a pandemia. A expectativa é chegar ao final de 2020 com um crescimento de 3% a 5% em média, que já será um ótimo resultado para o setor”, pontua Zanão.

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