Paraná Extra

Paralisação do HC prejudica pacientes vindos do interior

Defronte ao pronto-socorro do HC pacientes esperam atendimento. (Antonio Nascimento)

Defronte ao pronto-socorro do HC pacientes esperam atendimento. (Antonio Nascimento)

Os médicos do Hospital das Clínicas de Curitiba iniciaram hoje (28) uma paralisação programada para ir até o dia 31 de maio, em repúdio a uma medida provisória do Governo que corta os salários dos médicos do serviço público federal.

 

Os casos emergenciais continuarão sendo atendidos, entretanto, de acordo com um informe, feito pela direção do HC ainda na sexta-feira, alguns serviços serão afetados diretamente: consultas ambulatoriais, cirurgias eletivas, procedimentos (de punções, biopsias, etc), e exames complementares realizados por médicos (eletrocardiografia, holter, ergonometria, ecocardiograma, endoscopia digestiva, entre outros).

 

No Laboratório Clínico o atendimento está normal, assim como em todos os outros serviços que são realizados por profissionais técnicos, bem como para pacientes de Urgência e Emergência, com encaminhamento referenciado, aqueles já internados no Hospital, e ou em tratamento quimioterápico.

 

Pacientes

 

Mesmo com a divulgação dos serviços que seriam paralisados a partir de hoje, vários municípios do interior do estado enviaram seus pacientes em vans e ônibus para a capital. A entrada do HC ficou cheia de pessoas que terão de aguardar até o fim da tarde para pegar o transporte de volta para casa. “Vim de Santa Maria do Oeste para que meu filho de 4 anos seja avaliado. Ele fez uma cirurgia no ouvido. Deixei os afazeres para vir a capital e perdi meu tempo”, disse Cristiane Leal.

 

José Alves, 58 anos, é de Ponta Grossa e gastou do próprio bolso para vir ao hospital, marcar uma endoscopia. “Perdi o dia de trabalho. Será descontado do meu salário”, reclamou. Jucimara Dias Pereira, que é de Jacarezinho, falou sobre a dificuldade de vir para Curitiba. “Embarcamos ontem, às 21h30 e chegamos às 6h de hoje. Agora, como não tem atendimento, vou ter que esperar até as 17h30. Só então vou voltar pra casa”, disse.

 

Pacientes com dúvidas devem ligar para o Hospital de Clínicas, (41) 3360-1800, e informar os serviços em que pretendem ser atendidos, para mais informações.

 

Medida

 

A medida provisória de iniciativa do governo federal prevê que os médicos que têm hoje uma jornada de 20h/semanais no serviço público federal, ao ingressarem na carreira teriam que cumprir 40h/semanais pelo mesmo valor, ou seja, uma redução de 50% na remuneração.

 

O Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar) repudiou a medida provisória publicada no dia 14 de maio, e hoje realiza uma assembleia dos médicos servidores públicos federais para discutir ações de mobilização e intervenções judiciais visando reverter os efeitos da Medida.

 

“As entidades médicas que subscrevem esta não aceitarão passivamente a vigência da Medida Provisória em comento e não pouparão esforços em defesa dos direitos já conquistados pelos médicos servidores públicos federais, que não podem ser usados como artifício para minorar o desperdício do dinheiro público, que se esvai pelos porões dos desmandos e da corrupção”, diz nota assinada pelo Simepar, Associação Médica do Paraná e o Conselho Regional de Medicina do Paraná.

 

(Portal Banda B)

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