Paraná Extra

Pepe Richa nega ter recebido R$ 1 milhão da JBS no supermercado

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, rebateu as acusações de que recebeu dinheiro do diretor do Grupo JBS, Ricardo Saud, através de nota oficial distribuída ontem (21). As informações foram repassadas pelo executivo em delação premiada. A declaração do diretor da JBS está em um dos vídeos liberados na última sexta-feira (19) pelo Supremo Tribunal Federal.

Saud afirma na gravação que repassou R$ 1 milhão em espécie ao secretário Pepe Richa. A entrega aconteceu, segundo o executivo, dentro de um carro na frente de um supermercado em Curitiba.

Também na última sexta-feira, após a divulgação da gravação, o PSDB emitiu uma nota informando que o Comitê Financeiro da Campanha Eleitoral de 2014 do PSDB “recebeu duas doações do grupo JBS S/A, nos valores de R$ 1.000.000,00 e R$ 1.000,00, respectivamente. As referidas doações estão declaradas na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral e em conformidade com a legislação vigente à época das eleições de 2014”.

Confira a nota de José Richa Filho na íntegra:

Organizações criminosas atuaram no Brasil em conjunto com segmentos políticos, saquearam os cofres públicos, fizeram terra arrasada com festival de propinas e milionárias ampliações patrimoniais.

Mais do que isso, descobrimos agora: institucionalizou-se o modelo de desvio e incorporou-se nas entranhas do funcionamento do Estado um vultoso esquema de corrupção.

A tudo isso expresso o sentimento da mais profunda repulsa e indignação, que se soma àquela dos milhões de cidadãos de bem que esperam justiça e punição aos responsáveis.

Assim, não aceito a violência que representa promover criminosos confessos da dilapidação milionária a ganhadores contemplados com o perdão de seus pecados, mediante o descredenciamento sistemático da boa política e das pessoas honestas que a integram.

Em maior intensidade ainda, repudio as falsas afirmações a mim dirigidas pela pessoa do “delator” da JBS Ricardo Saud, de quem não recebi dinheiro algum. Em 2014, sequer fiz parte do comitê financeiro de campanha do PSDB. Repito: não peguei e não recebi valor algum da JBS. O delator mente.

Meus atos falam por si. Sei de minhas obrigações como gestor público, que deve ser de redobrada atenção, cuidado permanente e total compromisso com a coisa pública.

Ao tempo em que enalteço a Justiça como pedra fundamental da democracia, volto os olhos para o respeito ao Estado de Direito, vilipendiado pelo crime que compensa e pelo escárnio da voz do delator que acusa levianamente, tentando comprometer a presunção de inocência com a banalização da barbárie.

A política, de igual forma, representa um patamar estruturante da democracia. Sem a política decente, não há futuro decente para os nossos filhos.

Acusações manipuladas não podem vir ao encontro do enlace inquisitorial com nossas instituições, sob pena de proliferarem ondas sucessivas de violência que, ao fim e ao cabo, resultam no desmanche do Estado.

Confio na capacidade de discernimento das pessoas de bem, na afirmação da verdade e na atuação isenta da Justiça, fiel escudeira do respeito à lei e à manutenção do Estado de Direito. Repilo as suspeições oportunistas, que visam apenas a redução de pena de criminosos confessos. Urge que a Justiça separe o joio do trigo, e se manifeste com veemência após a necessária, rápida e profunda investigação de todos os malfeitos relatados. Acredito que ainda vale a pena ser honesto no Brasil. Mesmo que malfeitores tentem nos confundir com os canalhas.

José Richa Filho

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