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Projeto de engorda da orla de Matinhos é questionados por técnicos

Professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisadores do Observatório de Justiça e Conservação (OJC) emitiram uma nota técnica questionando o projeto de revitalização e engordamento da orla de Matinhos, anunciado pelo governo do estado nesta quarta-feira (16) a um custo de cerca de R$ 512,9 milhões.

O documento, elaborado a pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR), aponta inconsistências legais para o andamento da obra e lista recomendações alternativas ao empreendimento. Segundo o professor e vice-diretor do Setor de Ciências da Terra da UFPR, Eduardo Vedor, o projeto de engorda da orla é ilegal já que não conta com licenciamento ambiental.
Segundo os pesquisadores, o projeto apresentado pelo governo estadual, por meio do Instituto Água e Terra (IAT), não consta entre os mais de 70 projetos que foram aprovados pelo Plano de Desenvolvimento Sustentável para a região. Para o pesquisador em Geografia Marinha e Gestão Costeira do Centro de Estudos do Mar da UFPR, Daniel Hauer Queiroz Telles, o projeto de engorda precisa ser discutido com maior profundidade acompanhado de estudos dedicados ao tema.
No total 15 pesquisadores participaram da elaboração da análise técnica, com auxílio da Associação MarBrasil e a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

Além de questionamentos, os pesquisadores elencaram alternativas para as obras na orla, como a manutenção de faixas de areia e a utilização de recifes artificiais, como explica Eduardo Vedor.
Procurado pela reportagem, o Instituto Água e Terra afirmou em nota que todos os procedimentos técnicos e jurídicos, como o licenciamento e estudo de impacto ambiental, estão seguindo os devidos ritos legais. Disse ainda que nesta segunda-feira (21) o projeto completo será apresentado em Audiência Pública em Matinhos, abrindo a possibilidade para exposição de questionamentos para posterior análise e discussão.

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