Paraná Extra

Sábado, no Chain, lançamento do livro “El Gran Capy”

Esse livro tem história. E não só a história que é contada nele. Primeiro, nem livro era para ser.

“El Gran Capy”, originalmente, foi uma matéria na revista piauí, em março de 2010, com o título “O motociclista da muralha da morte”, um texto com mais de 17 mil caracteres. Pois essa matéria tornou a jornalista Patricia Iunovich uma escritora.

O texto que narrava a história do seu pai, como se diz hoje, “bombou”. E Patricia se viu praticamente na obrigação de contar mais da história.

E Patricia não poupa suas lembranças. Narra, sem medo, todas as facetas de Antônio Francisco Iunovich, um argentino que fugiu do Exército, trocou de nome e se tornou uma lenda em circos e parques de diversões, ao arriscar a vida pilotando uma moto na Muralha da Morte.

A jornalista, nas 176 páginas do livro da Geração Editorial (R$ 36,90), relembra a vida de sua família, que morava num trailer e mudava de cidade em cidade, seguindo as apresentações da Muralha da Morte. Foi assim por toda a sua infância e adolescência, de 1971, quando nasceu, até o início dos anos 1990. Narra as dificuldades para uma menina que não tinha uma escola fixa e era chamada pelos colegas e professores de “a menina do parque”.

Às vezes podia ser bom ter todos os brinquedos de um parque “no quintal de casa”, mas a vida nômade também tinha muitas agruras. Como “El Capy” era uma das principais atrações, o estrelato trazia reflexos para a relação familiar. O sucesso, o dinheiro, as cicatrizes da acrobacia, o assédio das mulheres, as viagens pela América Latina, tudo isso é contado no livro, cheio de fotografias da época. Sem meias palavras. É a história de um personagem que driblava a morte em cada apresentação e que chegou ao fim da vida administrando um lava-jato em Foz do Iguaçu. O livro tem preço sugerido de R$ 36,90.

Serviço

Patricia Iunovich lança “El Gran Capy” no sábado, 9 de dezembro, na Livraria do Chain (R. General Carneiro, 441) das 9h30 às 12h30.

A partir das 10h30 o mágico e ilusionista Diogo Alvares fará performances durante o evento. Diogo já se apresentou em mais de 40 países, inclusive em apresentações de rua, e é especialista em manipulação, utilizando cartas, bolas de sinuca, cigarros e diversos objetos do dia a dia para executar seus números e espetáculos.

Muralha da Morte

Primeiro: é Muralha da Morte, não Globo da Morte. São duas coisas diferentes. A Muralha não tem todas as “proteções” do Globo. El Gran Capy explicava: “Na Muralha, a gente fica pertinho do público. No Globo, o espetáculo é distante. Não tem comparação, os giros são muito mais bonitos.”

E escreve Patrícia: “A Muralha da Morte é uma espécie de Globo da Morte sem filtro. Sua arena se resume a um cilindro de tábuas, com 7 metros de altura por 20 de circunferência. Os pilotos saem do chão, ganham altura por meio de uma rampa circular e, a partir dos 80 quilômetros por hora, parecem soltos no ar, de tão grudados na pista. Com a vantagem de não estarem trancafiados numa malha de aço como no Globo, mas livres para se comportar como se estivessem numa estrada sem fim nem horizonte. Podem até passar rente ao público, que se debruça na borda do circuito, sobre as paredes a prumo. E tocar as mãos que a plateia eventualmente lhes estenda”.

Não é para qualquer um. E El Gran Capy ousava. Tirava as mãos do guidão, jogava as pernas para o alto. Fazia o público delirar. Por isso, tornou-se uma lenda no Uruguai e nas cidades do Brasil em que se apresentou na Muralha da Morte.

Deixe uma resposta