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Simepar monitora ambiente com avião não tripulado

O vant é controlado à distância e tem custo menor do que os vôos triputados. (Foto: AEN)

O vant é controlado à distância e tem custo menor do que os vôos tripulados. (Foto: AEN)

O Instituto Tecnológico Simepar está utilizando uma nova tecnologia para coletar dados em áreas agrícolas e ambientais: é o veículo aéreo não tripulado, ou simplesmente vant. Um aeromodelo da marca Piper foi transformado em vant pela integração de um piloto automático da marca Micropilot, de fabricação canadense, com câmera digital de alta resolução. Controlado a distância por meios eletrônicos e computacionais lógicos programáveis, o vant está sendo empregado pelo Simepar em ações de monitoramento atmosférico e ambiental com custos bem inferiores em relação aos voos tripulados.

 

Dotados de interface gráfica que permite definir um plano de voo com dados de altura, velocidade, coordenadas do trajeto e das imagens a serem geradas, os vants do Simepar incorporam recursos como sensores e métodos de comunicação de dados em telemetria. O mais sofisticado tem flutuadores para pouso em água. Esta tecnologia é adaptada às características de peso e espaço de cada vant, buscando a melhor relação custo-benefício.

 

“O Simepar concebe, projeta, desenvolve, adquire e configura o vant de acordo com a missão que o equipamento deve cumprir”, explica o pesquisador José Eduardo Gonçalves, responsável pelo projeto, que começou a ser desenvolvido em 2008 em parceria com o curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná. Segundo ele, a inteligência está na melhor configuração possível para determinada necessidade.

 

Ao apostar na tecnologia, o Simepar fez investimentos iniciais na configuração da aeronave para múltiplos usos, desenvolvendo um protótipo com diversas aplicações em pesquisa, ensino e serviços. “O monitoramento aéreo por meio de vants requer conhecimento e integração tecnológica de áreas como miniaturização de sensores ambientais, telemetria de imagens e vídeo, processamento e georreferenciamento, bem como adaptação e projeto de aeronaves”, observa o diretor do Simepar, Eduardo Alvim Leite.

 

Segundo ele, cada aplicação exige solução tecnológica própria. “O Simepar está colhendo os frutos e resultados de suas pesquisas nos últimos cinco anos, com o sucesso de soluções para os setores elétrico, meteorológico, ambiental, de recursos hídricos e estradas”.

 

CUSTO E BENEFÍCIO – O monitoramento atmosférico feito pelo vant mede dados de temperatura, pressão e umidade em níveis pré-determinados de altitude que podem chegar a 2 mil metros. O monitoramento ambiental, por sua vez, consiste no reconhecimento do uso do solo por meio de fotografias e filmes, gerando imagens em alta resolução em tempo real.

 

Esse recurso de baixo custo e grande benefício possibilita, por exemplo, a determinação da camada limite para dispersão de poluentes atmosféricos de acordo com as características ambientais que incluem variáveis como relevo, estação climática e ocupação do solo. Permite ao setor elétrico monitorar as bordas de reservatórios. Ao setor ambiental, a fiscalização de áreas de preservação permanente ou de domínio – aquelas vedadas para qualquer tipo de ocupação – para evitar invasões, bem como a avaliação de impactos ambientais. O setor público também pode empregá-lo na gestão de obras em rodovias e estradas vicinais.

 

Os voos podem ser programados de torres, subestações, linhas de transmissão e oleodutos, por exemplo. “O vant tira fotos aéreas georreferenciadas de locais de interesse e coleta dados, gerando uma espécie de mosaico das imagens, o que viabiliza a elaboração de mapas e relatórios e a atualização de bases de dados já constituídos por imagens de satélites ou aerofotogrametria”, diz o pesquisador.

 

SERVIÇOS – O Simepar vem usando vants em experimentos e prestação de serviços à Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), à Copel (Companhia Paranaense de Energia) e à Petrobras. Pretende ampliar o uso dos equipamentos para as áreas de saúde e sustentabilidade. “Indústrias poluentes, por exemplo, podem usar os dados no planejamento de suas atividades produtivas, adequando seus processos à situação do momento conforme indicam os modelos numéricos”, observa Gonçalves.

 

Está em estudo a possibilidade de dotar os vants de câmeras infravermelho para detecção de problemas em linhas de transmissão, como aquecimento. Também está em fase de pesquisa sua aplicação para avaliar a severidade e a dimensão dos eventos sob condições atmosféricas adversas, por exemplo em desastres ambientais nos quais o acesso por terra fica dificultado.

 

(AEN)

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