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UFPR projeta equipamento que diagnostica cA?ncer de mama, diabetes e doenA�as do coraA�A?o

Pesquisadores da UFPR desenvolveram um sistema de telemedicina para triagem e biomonitorizaA�A?o infravermelha que permite a identificaA�A?o precoce de enfermidades, o controle de doenA�as de alta prevalA?ncia na comunidade e a contenA�A?o de epidemias.

A tecnologia A� uma soluA�A?o voltada para a saA?de pA?blica e foi desenvolvida de forma interdisciplinar, com a intenA�A?o de viabilizar maior acesso ao exame de imagem por meio da reduA�A?o do custo por procedimento, diagnA?sticos precoces de doenA�as e, consequentemente, diminuiA�A?o dos gastos com tratamento de doenA�as em estA?gio avanA�ado.

Os trA?s pesquisadores responsA?veis pelo projeto a�� AndrA� Bellin Mariano, JosA� Viriato Coelho Vargas eA�Marcos Leal Brioshi, vinculados ao NA?cleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia AutossustentA?vel (NPDEAS) da UFPR, explicam que o sistema criado por eles envolve tecnologia de termometria, jA? existente no mercado, mas com o diferencial do pacienteA�terA�autonomia para realizar o exame numa cabine isolado e que controla a temperatura.

Para minimizar os erros eA�terA�um ambiente controlado, principalmente por tratar-se de um sistema que tem como base de diagnA?stico a temperatura corporal, os cientistas pensaram no uso de uma cabine, que cria condiA�A�es adequadas para coleta de informaA�A�es e diminui as chances do usuA?rio do sistema prejudicar a coleta de dados. Por fim, entra um dos grandes diferenciais do sistema: o software, ou seja, a inteligA?ncia artificial e os protocolos que permitem os diagnA?sticos precoces para doenA�as cardiovasculares, diabA�tes e cA?ncer. Os pesquisadores ainda explicaram que a soluA�A?o pode ser adaptada para diagnosticar uma variedade de doenA�as que atingem a populaA�A?o.

NA?o A� invasiva

Dar autonomia ao paciente e responsabilidade sobre a prA?pria saA?de. Esse A� um dos conceitos que embasa a criaA�A?o da tecnologia do sistema de telemedicina por cabine. Marcos Leal Brioshi, mA�dico e Doutor em Engenharia MecA?nica pela UFPR e colaborador do NPDEAS, explica que a�?o sistema nA?o irA? resolver todos os problemas de diagnA?sticos e doenA�as da medicina. Mas A� algo revolucionA?rio. Estamos falando de coisas muito importantes como o cA?ncer de mama, diabA�tes e doenA�as cardiovasculares, que sA?o as trA?s principais problemas de saA?de que conseguimos avaliar por meio do sistemaa�?.

O mA�dico explica que no caso de um cA?ncer de mama, por exemplo, alteraA�A�es vasculares na mama podem acontecer de 5 a 10 anos antes do diagnA?stico do cA?ncer. O sensor de temperatura, presente no equipamento detecta antecipadamente que houve alguma alteraA�A?o na mama da paciente, em comparaA�A?o ao que se espera de uma mama saudA?vel. Essa pessoa serA? triada, tagueada pelo sistema, e o mA�dico irA? avaliA?-la e orientar sobre o que fazer. a�?A estatA�stica nos diz que de cada 10 pessoas, 3 realmente vA?o ser cA?ncer. Mas quando o diagnA?stico for feito pelo nosso sistema, vai pegar uma fase muito inicial da doenA�aa�?.

Dessa maneira, alA�m do paciente poderA�terA�acesso a um maior nA?mero de informaA�A�es a respeito de sua saA?de, os resultados irA?o refletir na cadeia de tratamento de saA?de, diminuindo os gastos com tratamento e otimizando as chances de prevenA�A?o.

Projeto da Cabine. CrA�dito: Manoel Massatoshy e Daniel Mazzette, alunos de GraduaA�A?o do Curso de Engenharia MecA?nica participantes do Startup Experience coordenado pelo Prof. AndrA� Bellin Mariano.
AndrA� Bellin Mariano, farmacA?utico,A�Doutor em CiA?ncias pela UFPR, cofundador e gestor do NPDEAS e professor do Departamento de Engenharia ElA�trica, explica que outro conceito relevante para a criaA�A?o do sistema foi ser o menos invasivo possA�vel, assim diminui-se a resistA?ncia A� realizaA�A?o do exame.

O paciente ingressa na cabine. Seu corpo A� a�?escaneadoa�? considerando as variaA�A?o corporal de temperatura e serA?o gerada imagens por meio de termometria. Essas imagens vA?o ser direcionadas para um servidor. A mA?quina, por meio do software, e metodologia desenvolvidos pelo grupo de pesquisa, coleta as informaA�A�es e faz anA?lises baseadas em um banco de dados que apresenta parA?metros para alteraA�A�es no corpo humano.

a�?Com base em outros estudos que jA? desenvolvemos, ou seja, hA? uma ciA?ncia por trA?s disso, o sistema irA? interpretar todas as informaA�A�es do exame. Na prA?pria cA?psula hA? um sistema de dados, encriptado, que vai para o servidor, interpreta, vai para o usuA?rio e dA? informaA�A�es de reconsulta e reavaliaA�A?o do exame, por exemploa�? a�� conta Mariano, que completa:

a�?A nossa principal preocupaA�A?o foi o desenvolvimento de um mA�todo baseado em evidA?ncias cientA�ficas e certificado atravA�s de estudos clA�nicos. Em estudo recente produzido pelo grupo de pesquisa a metodologia desenvolvida foi capaz de acertar 95% dos casos positivos de cA?ncer de mama em comparaA�A?o com a mamografia que evidenciou apenas 75% dos casos com alteraA�A?oa�?.

Havendo alteraA�A�es o software marca o exame, ou, como explica Mariano, a�?tagueiaa�? o laudo e encaminha para mA�dicos avaliarem os resultados. A�a�?O mA�dico, portanto, nA?o A� cortado do processo de diagnA?stico. O que acontece de novo A� que o sistema realiza uma triagem que orienta para o mA�dico apenas os casos em que hA? alteraA�A�es. A tecnologia nA?o vem substituir o mA�dico, a nA?o ser que o mA�dico nA?o use a tecnologiaa�?. Dessa maneira, o profissional responsA?vel pelo laudo consegue avaliar mais resultados que possuem alteraA�A�es e mais pessoas conseguem acesso a esse tipo de atendimento.

Os inventores acreditam que dessa forma a tecnologia irA? a�?ajudar os mA�dicos a usarem seus conhecimentos de uma forma mais direcionada. AlA�m disso,A�o sistema nA?o cansa de avaliar os exames. E quanto mais exames avaliar, mais inteligente ele ficaa�? a�� completa Brioshi.

Para a aplicaA�A?o da tecnologia A� preciso que um protA?tipo da cabine seja desenvolvido. Para viabilizar isso, o grupo de pesquisadores, com o apoio da agA?ncia de InovaA�A?o da UFPR, publicizou uma chamada para o desenvolvimento e transferA?ncia da tecnologia. Os interessados podem encaminhar propostas e ofertas atA� o dia 6 de julho de 2018, por meio do emailA�coord.tt@ufpr.br

Para a escolha das propostas serA?o considerados o valor de investimento em prototipagem e desenvolvimento; o percentual da receita bruta obtida com a comercializaA�A?o da tecnologia, incluindo correlatos; estratA�gia de comercializaA�A?o e proteA�A?o no exterior e A�estratA�gia de uso e comercializaA�A?o no Brasil.

O NPDEAS

O NA?cleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia AutossustentA?vel (NPDEAS) A� um projeto de pesquisa da UFPR que desenvolve soluA�A�es em escala de engenharia. Os projetos desenvolvidos envolvem pesquisas nas A?reas de Energia RenovA?vel, Engenharia BiomA�dica, Mobilidade Urbana, Tratamento de EmissA�es e Efluentes, GeraA�A?o de Energia ElA�trica DistribuA�da, AplicaA�A?o de dispositivos Internet das Coisas (IoT) e Modelagem MatemA?tica de processos quA�micos, biolA?gicos e tA�rmicos.

A pesquisa desenvolvida desde 2008 tem o carA?terA�interdisciplinar e grupo conta com estudantes, tA�cnicos e professores dos departamentos de QuA�mica, Engenharia ElA�trica, Engenharia MecA?nica, Engenharia QuA�mica, Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, Biologia, Engenharia Ambiental, GenA�tica, CiA?ncia da ComputaA�A?o, ExpressA?o GrA?fica e do curso tA�cnico de PetrA?leo e GA?s Natural da UFPR, bem como diversos cursos de pA?s-graduaA�A?o da instituiA�A?o.

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