Paraná Extra

Uma noite cortada pelos agudos criativos de Steve Vai

Nilson Pohlvai2

Os acordes agudos de uma guitarra acabaram com a tranquilidade da noite desta quarta-feira (7) no pacato bairro São Lourenço. Eles ecoavam das guitarras do virtuoso Steve Vai, americano de 58 anos que começou a carreira como membro do Mothers of Invention, banda de Frank Zappa e não conseguiram ser contidas pelas paredes de vidro e metal do Ópera de Arame. Técnica, velocidade e criatividade são as marcas das interpretações de Vai, que estava pela quinta vez em Curitiba – a primeira foi há mais de 20 anos, no antigo Aeroanta – e tocou por mais de duas horas, transformando seu instrumento numa extensão do próprio corpo. Em canções apenas instrumentais, tendo por base um de seus discos de maior sucesso, “Passion and Warfare”, apoiado numa potente banda, onde se destacou o baterista Steve Forrest, ex-Placebo, Vai tirou sons inacreditáveis do instrumento que, de tanto ser manuseado, precisou ser trocado pelo menos três vezes durante o show por perder a afinação.

Verdadeiro show-man, que começou a carreira com os pais numa banda de música soul chamada Hot Chocolate, com passagens por bandas como Whitesnake e participações curiosas em discos como o do ex-membro dos Sex Pistols, John Lydon, o Public Image Ltd., Steve fez um show interativo. Apoiado num telão, fez dueto com outro monstro da guitarra, Joe Satriani, com quem teve aulas do instrumento; fez solos com ele mesmo nas imagens e prestou uma homenagem a Zappa, tocando uma canção simultânea a um vídeo onde aparecia no Mothers, no início da década de 80.

Quarto guitarrista mais rápido da história segundo a revista Guitar World,  detentor de 3 prêmios Grammy, doutor em música pelo Musicians Institute, Vai mostrou mais uma vez porque não só inspirou inúmeros músicos de todo o mundo, como desempenhou um papel importante na evolução do rock moderno, usando alavancadas certeiras, slides dificílimos, vibratos e harmônicos expressivos. Um espetáculo imperdível para quem vê a música como uma ação criativa.

Antes de via ao Brasil, o guitarrista havia  se unido a Zakk Wylde (a quem citou ao ver um fã muito parecido com o guitarrista do Black Label Society) , Yngwie Malmsteen, Nuno Bettencourt e Tosin Abasi para a turnê do projeto Generation Axe na Ásia, no últimos de abril.

 

 

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