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Venda virtual de bebidas alcoólicas cresce 93,9% durante a pandemia

 

Com o isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19 em todo o país, consumidores transferiram o bar para dentro de casa: a venda de bebidas alcoólicas subiu 93,9%, com 248,9 mil compras realizadas.

Os números são do Compre & Confie, empresa de inteligência de mercado focada em e-commerce, que analisou o consumo de 24 de fevereiro (chegada do coronavírus ao Brasil) a 3 de maio e comparou os resultados com o mesmo período de 2019.

Além de comprarem mais, consumidores também estão gastando valores mais elevados por pedido. O tíquete médio analisado pela companhia é de R$ 310,70, valor 4,3% maior do que o mesmo período do ano anterior.

No período, o faturamento do setor atingiu R$ 77,3 milhões, aumento de 102,4% em relação ao mesmo período de 2019.

O setor de bebidas tem sido fortemente afetado pelo isolamento social, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe). A entidade, que reúne todas as categorias de bebidas alcoólicas (destilados, cachaça, cerveja e vinhos), apontou queda média de 71% no faturamento das empresas associadas na primeira quinzena de abril. Ainda assim, o segmento tem buscado inúmeras maneiras de colaborar com seus parceiros e com toda a sociedade, a fim de evitar a proliferação da doença.

Outra preocupação do setor é colaborar para que estabelecimentos, como bares e restaurantes, e profissionais da área se reergam após a crise. Para isso, foram criadas campanhas tanto de incentivo econômico a estabelecimentos, como de aprimoramento para bartenders.

O aumento do consumo de álcool durante o período é preocupante, alertou, em entrevista à Agência Brasil, a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Renata Brasil Araújo.

Segundo ela, inicialmente, a bebida parece trazer euforia, mas, depois, diminui a ativação do freio do cérebro, chamado de lobo pré-frontal. As pessoas ficam com efeitos de mais sedação, mas um efeito colateral é o aumento da impulsividade. E “ficando sem freio”, pode ocorrer um aumento nos índices de violência, em especial, a doméstica e no número de feminicídios.

Em abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também manifestou preocupação com o tema. “O álcool não protege contra a Covid-19, o acesso deve ser restrito durante o confinamento” é o título de um artigo que a entidade publicou em sua página na internet.

Renata Brasil Araújo destacou que o crescimento do consumo de álcool acontece em um momento de isolamento, quando o acesso ao tratamento de dependências químicas está mais difícil. Além disso, segundo ela, algumas pessoas que aumentarem o consumo da bebida durante a reclusão poderão manter esse hábito pós-quarentena e, a longo prazo, isso pode vir a se transformar em uma dependência, que tem um componente biopsicossocial.

 

Com informações da Agência Brasil

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