PARANÁ

Apagão no Paraná por chuvas é o mais grave em 5 anos

As chuvas que caíram no Paraná nesta segunda-feira (22/09) foram consideradas pela Copel como um dos maiores eventos climáticos dos últimos anos. Durante a tempestade, muita gente ficou sem energia elétrica. Ao todo, 1,1 milhão de unidades consumidoras enfrentaram o que muitos chamaram de um verdadeiro apagão. Para se ter uma ideia da gravidade, mais de 48 horas depois, ainda havia cerca de 12 mil imóveis sem luz.

Para lembrar, o último apagão com proporções semelhantes aconteceu em 2020, quando um ciclone-bomba deixou 1,8 milhão de unidades sem fornecimento de energia, o que correspondia a 38% dos clientes da Copel na época. Naquela ocasião, a tempestade feriu dez pessoas e danificou 1.501 casas. Agora, a Copel classificou o evento recente como “o mais desafiador dos últimos anos” para suas redes elétricas, em um comunicado no site da companhia.

Os ventos durante a tempestade chegaram a superar 100 km/h em pelo menos 12 cidades. Em apenas dois dias, dez estações meteorológicas do Instituto Simepar registraram chuvas que atingiram o volume esperado para o mês de setembro já no dia 22. Em Ubiratã, os ventos alcançaram 120 km/h. Em Curitiba, as rajadas chegaram a 97,9 km/h — um pouco abaixo das que ocorreram essa semana, que foram de 74 km/h.

Impactos em Curitiba

Em Curitiba, a situação gerou muitos prejuízos para a população. Recordando um episódio semelhante de cinco anos atrás, quando um ciclone deixou 185 mil imóveis sem luz, agora o número foi um pouco menor: 62 mil. No entanto, a reclamação mais comum entre moradores e comerciantes foi a falta de informações claras sobre quando a energia seria restaurada.

Uma moradora do bairro Fazendinha compartilhou que ficou quase 42 horas sem eletricidade devido a uma árvore que caiu sobre a rede elétrica. Mesmo com várias tentativas de contato, ela não conseguiu obter respostas sobre o retorno da energia. A normalização só aconteceu às 23h de terça-feira (23/09). Em outro caso, na Avenida Iguaçu, uma explosão de transformador deixou a região sem energia por quase 33 horas, afetando residências, comércios e até um hospital. Para não perder os alimentos, uma churrascaria precisou alugar um gerador.

O Hospital Pequeno Príncipe também enfrentou situações difíceis, dependendo de geradores para manter os atendimentos. Embora o hospital tenha geradores para áreas de emergência, a situação ainda é preocupante, como destacou uma residente.

Resposta da Copel

Quando a Tribuna do Paraná questionou a Copel sobre a gravidade do ocorrido e os planos para o futuro, a empresa não conseguiu fornecer respostas imediatas, alegando “falta de agenda” de seus especialistas. Sobre indenizações por danos, a Copel afirmou que segue os protocolos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para solicitar ressarcimentos, os clientes podem acessar o site da empresa ou usar o aplicativo Copel, disponível para Android e iOS.

No início da tarde, a companhia informou que o fornecimento de energia estava voltando ao normal na maior parte do estado. Às 12h40, ainda havia 6,8 mil unidades consumidoras sem energia, principalmente em áreas onde a rede elétrica sofreu danos severos. A Copel garantiu que suas equipes estão atuando para religar todos os clientes.

Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), as condições climáticas extremas foram causadas por uma frente fria e um sistema de baixa pressão no oceano, próximo ao Uruguai. Isso resultou na formação de um ciclone extratropical que avançou rapidamente pelo Paraná. A atmosfera ficou ainda mais instável devido ao calor e umidade vindo da Amazônia, favorecendo ventos intensos e a formação de um tornado de categoria F1 no Centro-Sul do estado.

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