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Aladim, ídolo do Coxa, completa 79 anos e deixa legado importante

Aladim Luciano, um dos grandes ídolos do Coritiba, vive hoje uma fase mais tranquila aos 79 anos. Ele, que já passou por tantas experiências intensas na vida, agora se dedica a momentos simples, como buscar os netos na escola ou ir a consultas médicas. Com um sorriso sempre no rosto e uma mente afiada, Aladim prova que as lembranças do passado continuam muito vivas em sua memória.

Embora não tenha nascido em Curitiba, ele é uma figura carimbada na cidade. Aladim tem uma trajetória rica que envolve o futebol, a política e o empreendedorismo. Ele jogou pelo Coritiba, foi vereador e, há 40 anos, abriu uma panificadora que ainda está em funcionamento e é tocada pela família. No fundo, ele é aquele menino que sempre amou o futebol e, mesmo agora, não perde um jogo do Coritiba, esteja chovendo ou fazendo sol.

Nasceu em Barra Mansa, no Rio de Janeiro, e por causa de um erro de registro, seus documentos o fazem parecer 15 dias mais novo. Mas ele garante que seu aniversário é em 25 de setembro de 1946. Aladim foi o caçula de sete irmãos, e seu irmão mais velho também se destacou no futebol, jogando pelo Vasco. Desde pequeno, ele sempre teve uma bola nos pés — se não tinha uma, improvisava chutando pedras. A paixão pelo futebol o acompanhou na infância, onde ele treinava no time local após as aulas.

Antes de completar 18 anos, Aladim teve a oportunidade de jogar contra a Seleção da Marinha, o que chamou a atenção de João Havelange, na época presidente da CBF. Havelange o convidou para se juntar ao Fluminense, mas ele recusou. Mais tarde, se destacou no Bangu, onde se tornou campeão carioca em 1966. Em 1970, mudou-se para o Corinthians e, após um empréstimo ao Coritiba em 1973, encontrou a paixão que moldaria sua vida.

Durante sua infância, Aladim torcia para o Vasco, mas quando começou a jogar pelo Bangu, esse time ganhou um espaço especial em seu coração. No Paraná, teve breves passagens por outros times, mas o Coritiba sempre foi sua verdadeira casa. Ele se lembra com carinho das conquistas que teve com o time, como os títulos do Torneio do Povo e os campeonatos paranaenses que vieram em sequência.

A conexão de Aladim com Curitiba começou cedo, com sua primeira viagem de avião para a cidade em 1967. Curiosamente, ele se hospedou perto do Teatro Guaíra, e anos depois, ao voltar para jogar no Coritiba, morou no mesmo hotel antes de se estabelecer de vez na cidade com a família.

A aposentadoria das chuteiras veio em 1985, quando Aladim decidiu que era hora de parar. Ele já tinha dois filhos e sentia que seu corpo pedia descanso. A ideia de ficar parado não lhe agradava, então decidiu abrir uma panificadora, que existe até hoje. O negócio está localizado na Avenida Prefeito Erasto Gaertner e é conhecido por seus produtos e pelo carinho que Aladim sempre teve com os clientes, que até ganham balas ao visitar a padaria.

Por volta dos anos 2000, ele se aventurou na política quase por acaso. Um amigo o convidou para ser candidato, e ele acabou sendo eleito vereador. A campanha foi simples, com santinhos feitos à mão, e ele conseguiu um número considerável de votos, embora esperasse mais. Aladim foi vereador por três mandatos e, embora tenha gostado da experiência, decidiu se afastar quando começou a perceber aspectos negativos na política.

Aladim é pai de três filhos e avô de cinco netos. Para sua filha Elisangela, ele representa simplicidade e alegria. O caçula, André, revela que se inspira no pai e que o futebol entrou em sua vida graças a ele. Embora os filhos tenham poucas memórias de quando Aladim jogava, eles se esforçam para manter viva a essência do legado que ele construiu, tanto no futebol quanto no negócio da família.

Desde 2020, os filhos têm administrado a panificadora, e André diz que é gratificante fazer parte da história do local. Com 17 funcionários, muitos deles com mais de 20 anos de casa, a panificadora continua a prosperar. Elisangela sente a responsabilidade de manter o nome do pai e sua importância em Curitiba. Ela se esforça para garantir que os clientes saiam satisfeitos, sempre buscando inspiração na forma como Aladim conduzia o negócio.

Aladim, por sua vez, expressa sua gratidão pela vida e pela família. Ele reconhece os desafios de manter um negócio familiar, mas deseja que seus filhos encontrem felicidade no que fazem, sem arrependimentos. Ele vive com a certeza de que faria tudo de novo, se pudesse.

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