Curitiba registra menor índice de pais ausentes entre capitais
Curitiba se destaca entre as capitais brasileiras pelo seu baixo número de pais que não registram os filhos. Segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil, em 2024, apenas 4,36% dos nascimentos na cidade não trouxeram o nome do pai, o que corresponde a cerca de 1.025 crianças. Para se ter uma ideia, nas outras capitais, essa porcentagem varia entre 5% e 14%. A média nacional é de 6,49%.
Esses números positivos em Curitiba não são mera coincidência. O resultado é fruto de várias ações e políticas públicas implementadas pela cidade, todas focadas em garantir a proteção das crianças e o fortalecimento da família. A Fundação de Ação Social (FAS) tem um papel fundamental nesse processo. Recentemente, a FAS promoveu uma capacitação chamada “Da Paternidade Legal ao Fortalecimento do Vínculo Paterno”. O objetivo foi preparar servidores e parceiros para reconhecer situações de ausência paterna e estimular a participação dos homens na vida familiar.
O presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, ressalta que valorizar a paternidade é essencial para o fortalecimento dos vínculos familiares. Ele acredita que a Política Nacional de Assistência Social deve colocar a família no centro das ações, ressaltando a importância da presença do pai no cuidado e desenvolvimento dos filhos.
Cintia Aumann, diretora de Proteção Social Básica da FAS, complementa que ter informações e habilidades adequadas é crucial para o atendimento às famílias. Para ela, é fundamental que as equipes adotem práticas acolhedoras que incentivem os pais a se envolverem ativamente na vida familiar e comunitária.
O promotor de Justiça Régis Rogério Vicente Sartori, que atua na Promotoria de Justiça das Comunidades, também contribui para entender o sucesso de Curitiba nesse aspecto. Ele afirma que as políticas públicas, como os programas da FAS e o acompanhamento pré-natal da Secretaria Municipal da Saúde, vão além da assistência básica. Essas iniciativas trazem um caráter educativo, conscientizando os pais sobre a importância de serem responsáveis e de manterem vínculos com seus filhos desde a gestação.
Sartori menciona ainda o trabalho do Ministério Público do Paraná (MPPR), que promove a paternidade responsável por meio de eventos e palestras nas comunidades. O projeto Pai Presente, do Tribunal de Justiça do Paraná, foi uma das iniciativas que facilitou o reconhecimento voluntário da paternidade, eliminando barreiras burocráticas e promovendo justiça social.
Essas ações demonstram o comprometimento de Curitiba em garantir que cada criança tenha a presença do pai em sua vida, reforçando laços familiares e contribuindo para um desenvolvimento mais saudável e seguro.




