Lar na RMC transforma vidas de crianças há 60 anos
Thiago Daniel de Camargo de Almeida, com apenas 22 anos, tem uma história de vida que toca o coração. Ele cresceu no Lar Hermínia Scheleder, uma instituição acolhedora localizada em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Para ele, tudo que viveu ali foi essencial. “As mesmas oportunidades não seriam entregues a nós se não tivéssemos passado por lá”, afirma, lembrando como o lar fez a diferença em sua vida e na de muitas outras crianças em situação de vulnerabilidade ao longo de seus 60 anos de história.
Desde 1964, o Lar Hermínia Scheleder se tornou um porto seguro para crianças e adolescentes vítimas de violência. Nesta quarta-feira, parte da renda com a venda de jornais da Tribuna será destinada a essa instituição, através do projeto “Tamo Junto Com…”. Essa é a quinta edição do projeto, que já ajudou outras instituições como a Acridas e a FEPE.
Thiago e seus irmãos foram acolhidos pelo lar após uma ordem judicial que separou a família quando ele tinha apenas quatro anos. Ele não se lembra de sua vida antes disso, mas sabe que o lar foi fundamental. Ele e seu irmão mais velho deixaram a instituição juntos em 2020, um marco importante para eles.
### O Início do Acolhimento
O Lar Hermínia Scheleder surgiu em um período em que os direitos das crianças eram quase inexistentes. Renan Gustavo Costa Ferreira, coordenador da instituição há 15 anos, conta que em 1964, membros da Igreja Presbiteriana de Curitiba acolheram as primeiras crianças, dois irmãos que perderam a mãe em um triste acidente. Naquela época, muitas crianças em situação de rua buscavam ajuda na igreja.
Na década de 60, as crianças vulneráveis eram vistas de forma negativa e muitas vezes enfrentavam violências graves. Para oferecer um futuro digno, a igreja se mobilizou e, em 1965, começou a acolher crianças e adolescentes, proporcionando abrigo e apoio. O lar permaneceu em Santa Felicidade até o ano 2000, quando se mudou para o bairro Santa Terezinha, onde opera até hoje.
### Uma Grande Família
Atualmente, o Lar Hermínia Scheleder conta com 40 colaboradores dedicados, que cuidam de 40 crianças e adolescentes acolhidos. A equipe é composta por motoristas, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionistas e pedagogos. As idades das crianças que podem ser acolhidas variam de dois a 11 anos, embora haja exceções, como uma bebê de nove meses que chegou ao lar junto com o irmão de cinco anos.
As crianças vivem em um ambiente familiar, dividido em cinco casas lares, onde são organizadas por gênero, idade e laços familiares. Cada casa é equipada como um lar de verdade, com sala, cozinha e quartos, além da presença de mães sociais que cuidam delas 24 horas por dia, oferecendo amor e apoio emocional.
### Momentos Especiais
Renan destaca que, ao acolher uma criança, o lar assume a responsabilidade por todas as suas necessidades — desde alimentação e saúde até lazer e educação. Um dos momentos mais marcantes para as crianças é a participação nas apresentações de Natal no Palácio Avenida, um evento que faz elas se sentirem verdadeiras estrelas. Renan recorda de uma jovem que, após passar pelo lar, voltou para se casar no mesmo local onde teve sua festa de 15 anos. Um momento de emoção e celebração que simboliza a missão do lar: criar oportunidades e um futuro melhor.
### O Trabalho do Lar
O Lar Hermínia Scheleder é a última alternativa para crianças que não têm condições de viver em suas famílias. Renan explica que o principal objetivo é reintegrá-las à família, quando possível. Caso isso não aconteça, busca-se a adoção ou, em último caso, as crianças permanecem no lar até os 18 anos. Gabriel, um ex-morador, compartilha que, apesar de ter passado parte da infância em um ambiente conturbado, encontrou amor e ensinamentos valiosos no lar.
### A Importância do Amor
O amor é a essência do trabalho realizado no lar, tanto por colaboradores quanto por voluntários. Renan, que cresceu ajudando no local, diz que o impacto que o lar pode ter na vida das crianças é imenso. Ele se lembrou de um momento que o fez perceber sua verdadeira vocação. Ao ver um quero-quero proteger seu ninho durante uma tempestade, ele entendeu que precisava estar no lugar certo, e isso o levou a assumir a coordenação.
### Como Ajudar
Embora o lar receba apoio do poder público, Renan enfatiza que a ajuda da comunidade é crucial. Uma forma de contribuir é através da destinação de parte do Imposto de Renda. Além disso, doações e trabalho voluntário são sempre bem-vindos. Os colaboradores do lar estão em busca de produtos de higiene, alimentos não convencionais e itens que as crianças gostam, como ketchup e maionese, que não costumam ser doados.
Para saber mais sobre como ajudar, é só entrar em contato com a instituição. Cada contribuição ajuda a transformar a vida de uma criança e a construir um futuro melhor para todos.




