Megaoperação no Paraná revela fraude do PCC em postos de gasolina
Uma grande operação chamada Carbono Oculto está movimentando o Paraná e mais sete estados das regiões Sul e Sudeste. Lançada nesta quinta-feira (28), a ação tem como objetivo desarticular um esquema de fraudes liderado por membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações revelam que esse esquema operava tanto no setor de combustíveis quanto no mercado financeiro.
Os criminosos conseguiam se infiltrar em postos de gasolina, distribuidoras e empresas do ramo, agindo de forma contínua ou pontual para garantir a continuidade das atividades ilegais. O Porto de Paranaguá, no litoral paranaense, estava no centro desse esquema. Cargas de metanol que chegavam ao porto não eram entregues aos destinatários corretos. Ao invés disso, eram desviadas e transportadas clandestinamente com documentos falsificados.
Mas para onde ia todo esse combustível? O metanol, que deveria ser distribuído para postos e distribuidoras, era adulterado. As investigações indicam que mais de 300 postos de combustíveis nos estados envolvidos na operação estão relacionados a fraudes. Em Curitiba, por exemplo, 46 postos estão sendo investigados. Os consumidores eram enganados de duas maneiras: recebiam menos combustível do que o indicado nas bombas, ou então combustíveis adulterados, que não atendiam às especificações da ANP.
Além disso, proprietários de postos que venderam seus negócios não receberam o pagamento e, em alguns casos, enfrentaram ameaças de morte ao tentarem cobrar o que era devido. O lucro obtido com essas fraudes era disfarçado em uma rede complexa de empresas de fachada, fundos de investimento e instituições de pagamento, tudo isso para ocultar quem realmente se beneficiava.
Uma parte significativa desse dinheiro foi utilizada para adquirir usinas sucroalcooleiras e fortalecer a estrutura criminosa, que passou a controlar distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis. As transações financeiras eram feitas através de fintechs ligadas ao crime organizado, escolhidas para dificultar o rastreamento dos recursos. Essas fintechs operavam com contabilidade paralela, permitindo transferências sem que os beneficiários finais fossem identificados.
A operação tem como alvo 350 pessoas, incluindo indivíduos e empresas, todas suspeitas de crimes como adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e estelionato. Ao todo, mais de 1.400 agentes de diferentes órgãos, como ministérios públicos e polícias civil e militar, estão envolvidos na ação. Além dos mandados de busca, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) vai tomar medidas judiciais para bloquear bens suficientes para recuperar os tributos que foram sonegados, estimados em cerca de R$ 7,67 bilhões.
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