Marcenaria da RMC resgata símbolos de Curitiba
Joacir de Pol é um exemplo de como a paixão pelo trabalho pode ser passada de geração em geração. Hoje, o ofício de marcenaria que começou com ele já chegou ao neto, Antônio Augusto. E a história começou de uma forma bem inusitada, já que Joacir inicialmente queria ser torneiro mecânico, mas, ao descobrir que a turma estava lotada, decidiu se inscrever no curso de marcenaria do Senai, em 1972. E assim, ele encontrou seu verdadeiro chamado.
Filho de um ex-funcionário da antiga fábrica dos irmãos Mueller, hoje transformada em shopping, Joacir se dedicou ao ofício com tanto carinho que ele se tornou uma herança familiar. Na oficina da família, localizada em Almirante Tamandaré, ele cuida das ferramentas e faz a manutenção das máquinas. O resultado? Esculturas de madeira que fazem sucesso na Feirinha do Largo da Ordem, como capivaras, gralhas-azuis e até araucárias.
A cada domingo pela manhã, a tenda da família se enche de vida, com figuras que os curitibanos já conhecem bem. E o mais legal é que, mesmo que as formas sejam parecidas, cada peça é única. A madeira traz suas próprias características, com cores e texturas que garantem a singularidade de cada obra.
### O processo criativo
O processo de criação é bastante estruturado, mas também cheio de amor. Joacir explica que tudo começa na serra circular, onde a madeira é cortada em peças menores. Depois, é a vez da serra de fita moldar as formas. Uma vez que a base está pronta, as esculturas vão ganhando vida com o desgaste da madeira. E para finalizar, um bom verniz dá aquele toque especial, ressaltando a beleza natural da madeira.
Joacir não é o único a se destacar na marcenaria. Seu filho, Antônio, e seu neto, Antônio Augusto, também se dedicam a criar as esculturas. Antônio, que começou a aprender com o pai aos 12 anos, passou esse amor pelo ofício para o filho, que já domina a arte aos 19 anos. O neto é responsável por boa parte das peças vendidas nas feiras de Curitiba, mostrando que o talento é mesmo de família.
### Sustentabilidade e criatividade
Um aspecto interessante do trabalho da família De Pol é o compromisso com a sustentabilidade. A madeira utilizada nas criações vem de podas urbanas, um trabalho que eles fazem em parceria com amigos que atuam nessa área. Joacir destaca que, se não fossem por eles, essa madeira poderia acabar sendo descartada.
A oficina da família é um espaço dinâmico, onde cada pedido dos clientes pode inspirar novas criações. Além das peças que já são vendidas nas feiras, eles também aceitam encomendas, seja para esculturas personalizadas ou móveis feitos com madeira reaproveitada. A loja na entrada da casa é um verdadeiro tesouro, com uma variedade de produtos que vão desde tábuas em formato do mapa do Brasil até mesas feitas de grandes fatias de tronco.
### Um legado familiar
O que torna a marcenaria da família De Pol ainda mais especial é a união entre eles. Cada um tem um papel na produção, e juntos eles conseguem criar cerca de 15 capivaras em miniatura em um dia comum. E sempre sob o olhar atento da cadela Lupita, que se tornou a mascote da oficina, acompanhando tudo enquanto as máquinas trabalham.
A história de Joacir e sua família é uma bela demonstração de como o amor pelo ofício e a tradição podem se entrelaçar, criando não apenas peças únicas, mas também laços familiares ainda mais fortes. É um verdadeiro exemplo de como o trabalho manual pode ser uma arte que se perpetua e se transforma, sempre com um toque de criatividade e carinho.




