Big Brother Caravelle: o olhar atento que não vota em ninguém
Chegar em casa após um dia cansativo e poder relaxar é o desejo de muita gente. Mas em Cascavel, conhecida como a “Capital do Oeste” e também a “Capital dos Ventos”, esse sonho pode ser interrompido por um problema que afeta a rotina de todos: a insegurança. Com o crescimento da cidade, que atrai cada vez mais pessoas, crimes como furtos e arrombamentos têm se tornado mais frequentes, deixando muitos moradores preocupados.
Quem mora em Cascavel sabe que, enquanto alguns tentam cair no sono, outros ficam acordados pensando nos crimes que podem acontecer na vizinhança. E essa sensação de insegurança só aumentou após um crime brutal que chocou a cidade. Em março, Luiz Lourenço, conhecido como “Luizinho”, foi assassinado durante o dia perto do Parque Vitória. O crime foi cometido com um cano de PVC cheio de concreto, algo que deixou a comunidade em estado de alerta.
Após esse incidente, as autoridades tentaram agir, mas logo o clima de tensão se dissipou, e a sensação de medo continuou a assolar os moradores. Afinal, sair à noite ou dormir tranquilo virou um privilégio de poucos.
### A Iniciativa da Comunidade
Diante dessa situação, a comunidade começou a buscar soluções. A Constituição brasileira garante que a segurança é responsabilidade do Estado, mas, como sabemos, a realidade pode ser bem diferente. No Bairro Caravelle, um morador decidiu agir. Pedro Tochetto, um engenheiro do local, apresentou um projeto inovador: o “cercamento digital” do bairro.
Durante uma assembleia com dezenas de famílias, a ideia de implantar um sistema de monitoramento moderno foi aprovada. O objetivo é transformar Caravelle em um dos bairros mais seguros do Paraná. Pedro se inspirou em tecnologias que viu na China e adaptou para que o projeto fosse viável e acessível. Ele quer que o sistema envie alertas em tempo real aos moradores, avisando sobre qualquer movimentação suspeita.
### O Funcionamento do Projeto
A proposta é simples. Serão instaladas câmeras inteligentes nas entradas e saídas do bairro, garantindo um monitoramento 24 horas por dia. Imagine um grande “Big Brother” que, em vez de reality show, serve para proteger a comunidade. Se alguém suspeito passar, os moradores serão avisados imediatamente.
O projeto ganhou força e apoio da comunidade, que decidiu se unir para arcar com os custos. Cada família vai contribuir com R$ 278 de uma vez e depois apenas R$ 4 por mês para a manutenção do sistema. Para se ter uma ideia, esse valor é menos do que muitos gastam em um café no shopping.
Serão instalados 16 totens com mais de 80 câmeras de alta resolução, que podem identificar rostos e placas de veículos. O investimento total é de aproximadamente R$ 251 mil, incluindo equipamentos e serviços de manutenção.
### O Engajamento da Comunidade
Na assembleia realizada em agosto, a adesão foi impressionante. Moradores que já enfrentaram furtos reforçaram a relevância do projeto. Pedro Tochetto, o idealizador, ressaltou que o cercamento poderá evitar que casas que já foram assaltadas várias vezes sejam alvo de novas invasões.
Com a participação de cerca de 900 residências e 2,4 mil moradores, o projeto se tornou uma verdadeira mobilização comunitária. A segurança da vizinhança agora é uma responsabilidade compartilhada.
### Sobre as Câmeras da Prefeitura
Uma pergunta que sempre surge é sobre as câmeras da prefeitura. Atualmente, Cascavel conta com cerca de 1.900 câmeras instaladas em diversos locais, como escolas e praças. No entanto, muitos moradores sentem que esse sistema não é muito eficiente para coibir crimes nas ruas. A proposta de um cercamento digital já havia sido discutida anteriormente, mas não saiu do papel. O secretário de Segurança, coronel Lee, reconheceu que a iniciativa do Caravelle é interessante e poderia ser replicada em outros bairros, mas a falta de orçamento é um obstáculo.
Enquanto as autoridades pensam e discutem, os moradores do Caravelle decidiram agir. Eles criaram um modelo que pode servir de inspiração para toda a cidade e, quem sabe, para o Paraná. A mensagem que fica é clara: se o poder público não age, a comunidade se une e faz acontecer.




