Escola municipal de Curitiba completa 62 anos de história
Antigamente, o que era um campo aberto onde as crianças do bairro Portão se divertiam jogando bola, hoje é um grande terreno na Rua Itacolomi, número 700. É lá que está a Escola Municipal Papa João XXIII, a mais antiga de Curitiba, contando com 541 alunos matriculados. Além das aulas, a escola abriga o Farol do Saber e Inovação Rocha Pombo, um espaço que promove o aprendizado de forma inovadora.
Com 62 anos de história, a Papa João XXIII é um verdadeiro pedaço do passado do bairro, e isso fica claro no carinho que muitos ex-alunos têm pela instituição. Alguns deles até voltaram para lecionar, como é o caso de Luciana Paulino, que estudou na escola na década de 90 e, depois de se formar, retornou como professora. Para ela, a escola, carinhosamente chamada de “Papa”, guarda lembranças marcantes, como amizades que duram até hoje e o carinho dos professores. “Foi emocionante ver a chegada dos computadores na minha época”, lembra Luciana, que não hesitou em voltar para a escola onde se formou.
A história da escola está profundamente ligada à do bairro Portão. Nos anos 1800, a região começou a se desenvolver com a construção de um posto de fiscalização que controlava a passagem de mercadorias e gado. A chegada da ferrovia, em 1894, deu um grande impulso, transformando o local em um importante centro comercial, especialmente para a erva-mate. Com o crescimento da população, a demanda por serviços como saúde e educação aumentou.
Foi nesse contexto que a escola foi inaugurada, em 1963, pelo prefeito Ivo Arzua. O nome foi uma homenagem ao Papa João XXIII, conhecido por suas reformas na Igreja Católica e por promover o diálogo entre diferentes crenças. Inicialmente chamada de Centro Experimental Papa João XXIII, a escola foi criada por um decreto municipal e, hoje, conta com mais de 500 alunos, incluindo jovens e adultos que buscam a Educação de Jovens e Adultos (EJA). A biblioteca da escola é um verdadeiro tesouro, com mais de 6 mil títulos disponíveis.
O Farol do Saber, um espaço inovador da escola, tem até impressora 3D e atende não só os alunos, mas também a comunidade ao redor. Este ano, a Papa foi a primeira escola a receber um projeto-piloto para o ensino de ucraniano na rede municipal, mostrando que está sempre se atualizando e se adaptando às necessidades dos alunos.
Outro ex-aluno que guarda boas recordações da escola é Roberto André Oresten, presidente da Representação Central Ucraniano Brasileira. Ele estudou na Papa do final dos anos 60 até o início dos 70 e lembra com carinho dos amigos que fez e da época maravilhosa que viveu por ali. “Eu morava a uma quadra da escola, então era tudo muito próximo e especial”, conta Roberto.
Essas histórias mostram não apenas a importância da Escola Municipal Papa João XXIII na formação de gerações, mas também como ela continua a ser um pilar de aprendizado e acolhimento na comunidade.




