Obra da rodoviária é suspensa para as festas de fim de ano
Quem já passou pela experiência de reformar a própria casa enquanto ainda mora nela sabe que, além de criatividade, é preciso uma boa dose de paciência. A promessa é sempre a mesma: “vai ficar lindo”. Mas, até chegar lá, é poeira, barulho e aquele questionamento diário: “por que eu decidi fazer isso?”. E esse clima de obra eterna é exatamente o que a Rodoviária de Cascavel está vivendo. O espaço está em reforma, mas a rotina de passageiros e funcionários segue em meio ao caos — é como tentar trocar um pneu com o carro em movimento.
A situação é tensa. A tão aguardada “Nova Rodoviária” da cidade, que prometia um espaço mais moderno e seguro, deveria ter sido finalizada em setembro. Mas, como acontece em muitos projetos públicos, o prazo mudou. Agora, a nova data de entrega está prevista para março de 2026. E, para complicar ainda mais, a obra vai dar uma pausa. A partir da próxima segunda-feira (15), o ritmo já lento das reformas vai desacelerar ainda mais, só retornando com força total após a primeira semana de janeiro, conforme explicou o secretário municipal de Serviços e Obras Públicas, Severino Folador.
Ele justificou a pausa pela expectativa de um aumento significativo no número de passageiros devido ao período de férias e festas. A previsão é de um crescimento entre 45% e 60% no fluxo de pessoas. Só no primeiro semestre deste ano, foram cerca de 1,5 milhão de passageiros passando pelo local. A decisão, segundo Folador, visa evitar maiores transtornos para quem transita pela Rodoviária.
Além das reformas, a Rodoviária também ficou em evidência por conta de uma “chuvarada” que atingiu o local, fazendo com que a água caísse mais dentro do terminal do que fora. Isso gerou um verdadeiro “banho de inauguração” para as empresas que acabaram de se instalar. O problema foi causado por calhas antigas que entupiram, algo que não estava previsto na reforma. O secretário admitiu que, a cada chuva, a preocupação aumenta, pois o segundo andar virou uma espécie de piscina improvisada, causando prejuízos e até a falta de energia elétrica.
Apesar de todos os contratempos, Folador garante que a obra está 90% concluída. Assim que finalizadas as etapas restantes, os novos espaços serão entregues gradualmente à Transitar, a empresa que administra a Rodoviária. A reforma abrange uma área de 18 mil metros quadrados, mas a parte externa ainda será discutida a partir de janeiro. Um detalhe importante é que, mesmo com um investimento de cerca de R$ 20 milhões, o pátio onde ficam os ônibus não será reformado neste momento.
Além disso, as tão esperadas escadas rolantes e elevadores ainda enfrentam problemas elétricos. No fim de novembro, uma sobrecarga deixou uma pessoa presa dentro do elevador, e o Corpo de Bombeiros precisou ser chamado, mas felizmente ninguém ficou ferido. O secretário reconheceu algumas falhas no projeto elétrico e na acessibilidade externa.
A obra, que começou em março do ano passado, é executada pela Construtora Alom, vencedora da licitação. Os recursos vêm da Secretaria Estadual das Cidades, por meio de uma transferência que não precisa ser devolvida, mas deve ser bem usada. O projeto prevê um piso inferior exclusivo para embarque e desembarque, enquanto o superior terá lojas e lanchonetes, melhorando a organização do fluxo de pessoas.
Como a reforma está se estendendo, a empresa terá direito a um aditivo de mais de R$ 700 mil. Portanto, enquanto a obra não acaba, os custos continuam a aumentar.
Por último, vale lembrar que a Rodoviária leva o nome de Helenise Pereira Tolentino, esposa do ex-prefeito Fidelcino Tolentino, falecida em 1978. A memória dela está presente em outras obras importantes da cidade, como o Parque Tecnológico Industrial e a Fundetec. Durante a gestão do ex-prefeito, Cascavel passou por grandes transformações, incluindo a construção da barragem do Lago Municipal e a instalação de instituições de ensino.




