Abrigo em Cascavel gera preocupações por abusos relatados
Cascavel está passando por um momento muito complicado. O clima na cidade é de apreensão e indignação, principalmente por causa de casos de abuso sexual que surgiram em instituições que, a princípio, deveriam ser seguras, como escolas e igrejas. Esses acontecimentos têm abalado a confiança da comunidade, deixando muitos se sentindo traídos por lugares que deveriam ser santuários de proteção e acolhimento.
Um dos casos mais impactantes envolveu um agente educacional que foi condenado a 30 anos de prisão por abusar de uma criança em um Centro Municipal de Educação Infantil. O crime aconteceu em 2019, mas o acusado só foi afastado do cargo em 2024, o que levantou muitos questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de proteção e apuração dentro da prefeitura. Essa situação culminou na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as falhas nos processos administrativos.
Infelizmente, esse não é um caso isolado. Em 2023, um pastor evangélico foi preso por estar envolvido em um esquema de falsificação de agrotóxicos, e um padre foi investigado por desviar R$ 800 mil de doações. Recentemente, um padre de 41 anos foi preso sob suspeita de abusar sexualmente de adolescentes e jovens desde 2010, usando presentes e promessas para conquistar a confiança das vítimas. A Polícia Civil já identificou sete vítimas, e as investigações continuam em andamento.
Ainda mais alarmante é o fato de que a polícia investiga se o arcebispo falecido, Dom Mauro Aparecido dos Santos, acobertou esses crimes. Há relatos de duas vítimas do próprio Dom Mauro, incluindo uma menina de apenas 3 anos, que frequentava um Cmei administrado por irmãs da igreja. A reabertura desses casos, motivada pelas novas denúncias, mostra como a comunidade está se mobilizando para trazer à tona situações que antes eram mantidas em silêncio.
Esses episódios revelam um problema maior: a fragilidade das instituições que deveriam garantir proteção. Quando escolas e igrejas falham, toda a comunidade se sente traída. A psicóloga Carine Zandoná destaca que a dor coletiva é intensificada pela quebra de confiança em lugares que deveriam ser seguros. Segundo ela, é essencial que haja uma vigilância maior e uma prevenção mais rigorosa para evitar que esses casos se repitam.
Ela também ressalta que, apesar de toda essa situação, a fé das pessoas não deve ser abalada. Os fiéis precisam estar mais atentos e lembrar que a verdadeira referência é a espiritualidade, e não as falhas humanas. A comunidade tem um papel crucial em não silenciar esses casos e em proteger as crianças, pois o mal pode surgir em qualquer lugar, mas o impacto é muito maior quando acontece em instituições que deveriam ser refúgios de segurança.




