Centro Pop: moradores se reúnem com MP para pedir mudanças
Moradores da região central de Cascavel, próximo ao novo Centro Pop, estão em pé de guerra com a prefeitura. Eles marcaram uma reunião com o Ministério Público (MP) para esta quarta-feira à tarde. O Centro Pop, que atende pessoas em situação de rua, mudou de endereço em junho deste ano, saindo do Bairro Santa Felicidade e indo para a Rua Santa Catarina. Desde então, a comunidade tem se mobilizado para tentar reverter essa situação.
Muita gente já se manifestou contra a mudança, mas a prefeitura decidiu manter o serviço no novo prédio. A justificativa é que houve uma determinação do MP para que o Centro Pop fosse transferido para um local mais acessível para quem precisa. Ignez Tavares Luzzi, moradora da área, se sentiu incomodada com a falta de diálogo. Ela fez um requerimento como cidadã para que os moradores pudessem ser ouvidos. “A resposta que recebemos sobre a implantação do Centro Pop foi muito superficial, só explicaram a finalidade e as razões da mudança, sem entrar em detalhes”, desabafou.
Para Ignez, a expectativa é alta para que o MP encontre uma solução, pois os moradores também têm direitos que precisam ser respeitados. Eles acreditam que essa reunião será mais uma chance de conversar sobre a possibilidade de mudar o endereço da unidade novamente. O município já argumentou que o novo imóvel foi a única opção viável, e prometeu aumentar a segurança na região, mesmo com um abaixo-assinado que juntou muitas assinaturas pedindo o contrário.
A prefeitura explicou que foi preciso encontrar um espaço que atendesse a várias exigências, como salas de atendimento, refeitório, banheiros e lavanderia. Por isso, escolheram o imóvel onde hoje funciona o Centro Pop, garantindo a continuidade do atendimento. A Secretaria Municipal de Assistência Social (Seaso) também fez estudos técnicos para identificar as áreas com maior concentração de pessoas em situação de rua, seguindo as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Esses dados foram baseados em um mapa de calor gerado por um aplicativo que permite que as equipes de Abordagem Social registrem informações em tempo real.
Em relação à segurança, a Secretaria de Segurança Pública e Proteção à Comunidade se comprometeu a aumentar as rondas na área próxima ao Centro Pop. O serviço oferece alimentação, higiene e encaminhamentos sociais para quem está em situação de vulnerabilidade. Segundo a prefeitura, a escolha do novo local foi feita para atender à recomendação do MP, que sugeriu que a unidade ficasse em uma área de maior movimento de pessoas em situação de rua, que é o centro da cidade.
Originalmente, a prefeitura tinha pensado em um prédio público onde funciona o CREAS Sul, perto da sede da 15ª Subdivisão Policial. No entanto, como esse imóvel foi construído com recursos do Fundo Municipal e Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, foi necessário obter uma autorização formal dos conselhos municipais e estaduais relacionados, que ainda não se manifestaram sobre o assunto.
Atualmente, o prédio que abriga o Centro Pop custa cerca de R$ 13 mil por mês aos cofres públicos. O contrato com uma imobiliária da cidade totaliza R$ 468 mil, pois o aluguel é por três anos. O espaço tem uma área total de 800 metros quadrados, sendo 227 metros quadrados de área construída, o que oferece espaço suficiente para os serviços prestados.




