Paraná Extra

Criado grupo para identificar possíveis falhas na investigação do caso Evandro

Após denúncias de tortura e violação de direitos humanos, a Secretaria de Estado de Justiça do Paraná (Sejuf) criou um grupo de trabalho para identificar possíveis erros no processo e investigação do desaparecimento e morte de Evandro Ramos Caetano, em 1992, em Guaratuba, no litoral.

O “Caso Evandro” voltou a ganhar repercussão nacional após a publicação de áudios e vídeos expondo episódios de tortura que teriam sido praticados por policiais em busca de confissões do crime. Na época, a criança tinha seis anos de idade e desapareceu no caminho entre a casa dele e a escola. Poucos dias depois, um corpo foi encontrado em um matagal mutilado, sem as mãos e pés.

Para a polícia e Ministério Público do Paraná (MPPR), o corpo era de Evandro e os responsáveis pela morte eram Celina Abagge, Beatriz Abagge, Osvaldo Marcineiro, Vicente de Paula Ferreira, Davi dos Santos Soares e Francisco Sérgio Cristofolini. Em um primeiro momento, os sete confessaram o crime, porém, depois alegaram que as confissões foram obtidas mediante tortura.

O secretário estadual da justiça, Ney Leprevost, reconhece que as gravações publicadas no podcast Projeto Humanos e depois em série disponível em serviço de streaming, ambas produzidas pelo professor Ivan Mizanzuk, são estarrecedoras e precisam ser apuradas.
As gravações foram feitas na época das prisões, em 1992, pela própria Polícia Militar. Durante as investigações e os cinco julgamentos do caso trechos nitidamente haviam sido suprimidos e até então ninguém sabia o que poderia ter acontecido com a integridade do material. Com a investigação e publicação no podcast, trechos inéditos vieram a tona e corroboraram para as denuncias de tortura que acusados alegavam.

O caso Evandro passou por cinco julgamentos diferentes. Celina Abagge ficou presa por três anos e sete meses em regime fechado e por mais dois anos em prisão domiciliar. Já Beatriz ficou presa por cinco anos e nove meses. Um dos tribunais do júri, realizado em 1998, entrou para a história e é considerado o mais longo do judiciário brasileiro, com 34 dias. Na época, Beatriz e Celina foram inocentadas após não haver a comprovação de que o corpo encontrado era do menino Evandro.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) recorreu, o júri foi anulado e um novo julgamento realizado em 2011. Beatriz foi condenada a 21 anos de prisão, e a mãe não foi julgada porque, como ela tinha mais de 70 anos, o crime já tinha prescrito. Os pais de santo, Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula, também foram condenados, na época.

(Bandnews)

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