Curitiba e Região

Criança morre em Curitiba após infecção rara por bactéria

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba confirmou, na última segunda-feira, a triste notícia do falecimento de uma criança de apenas 6 anos, por uma doença grave causada por uma bactéria chamada estreptococo do grupo A, conhecida como iGAS. O óbito ocorreu no dia 24 de novembro e estava sendo investigado pelas autoridades. Em razão desse caso, a secretaria realizou uma ação para rastrear pessoas próximas que possam ter contraído a mesma bactéria, incluindo familiares e colegas da escola da criança.

A iGAS é uma infecção rara, mas pode ser muito séria. Ela é provocada pela bactéria Streptococcus pyogenes, que pode estar presente na garganta e na pele de pessoas saudáveis, afetando entre 5% e 15% da população. Geralmente, essa bactéria causa infecções comuns, como amigdalite, escarlatina e algumas infecções de pele, que não costumam ser graves. No entanto, em situações raras, ela pode invadir o corpo e causar doenças mais sérias, como pneumonia grave, meningite e até choque tóxico.

O diretor do Centro de Epidemiologia da SMS, Alcides Oliveira, explica que a transmissão da bactéria ocorre da mesma forma que nas infecções comuns, ou seja, por meio de gotículas de saliva ou contato direto com lesões na pele. Por isso, a equipe de saúde se mobilizou para investigar todos os contatos da criança, na escola e em casa.

Na escola, os amigos de turma da criança foram submetidos a exames para verificar se também estão portando a bactéria. A coleta da amostra foi feita com um cotonete estéril, um procedimento rápido e indolor, e os pais foram avisados com antecedência. Segundo a médica infectologista Marion Burger, essa ação faz parte do protocolo padrão para conter a bactéria e evitar que outros casos ocorram.

Sobre as orientações, a Vigilância Epidemiológica não recomendou o cancelamento das aulas. Contudo, pediu que as pessoas que tiveram contato próximo com a criança ficassem atentas a sintomas que possam indicar a infecção, como febre e dor de garganta. Se surgirem esses sinais, é fundamental procurar um médico. Para os pais de crianças que não tiveram contato com a aluna, a recomendação é observar qualquer sinal de infecção e buscar atendimento médico quando necessário.

Marion ressalta que as infecções por estreptococo são comuns na infância e, quando tratadas com antibióticos, a recuperação costuma ser tranquila. Porém, é importante estar atento a sinais que podem indicar gravidade, como febre persistente após 24 horas de tratamento, sonolência excessiva ou vômitos repetidos.

Infelizmente, ainda não existe vacina contra o estreptococo do grupo A. Por isso, é essencial adotar algumas medidas de prevenção, como manter boa higiene das mãos e evitar compartilhar utensílios. Para casos de doença invasiva, o tratamento deve ser feito em ambiente hospitalar, com antibióticos administrados por via intravenosa.

Aqui vão algumas dicas para evitar contaminações: se você ou seu filho apresentar dor de garganta e febre alta, busque atendimento médico. As pessoas diagnosticadas com infecção por estreptococos só devem retornar à escola ou ao trabalho após 24 horas de início do tratamento com antibiótico. Além disso, mantenha ferimentos bem limpos e observe sinais de infecção, como vermelhidão ou secreção. A higiene das mãos é fundamental, especialmente após tossir ou espirrar, e evite compartilhar alimentos e utensílios.

As escolas também devem garantir que os brinquedos e ambientes sejam bem higienizados e ventilados, contribuindo para a saúde de todos.

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