Cotidiano

Decisão do STF pode redefinir destinos na aviação

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender, em todo o Brasil, os processos judiciais relacionados a pedidos de indenização por atrasos, alterações ou cancelamentos de voos devido a casos de força maior, como mau tempo. Essa medida, assinada pelo ministro Dias Toffoli, ficará em vigor até que o STF julgue definitivamente o Tema 1.417, que vai determinar se o Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA) ou o Código de Defesa do Consumidor (CDC) deve prevalecer nessas situações.

O que isso significa na prática? Para os passageiros, a suspensão gera uma grande incerteza, especialmente para aqueles que já estão esperando compensações por prejuízos. Se o STF decidir que as regras do CBA são menos protetivas do que as do CDC, isso pode significar mais custos para quem viaja. Afinal, com essa decisão, os consumidores que enfrentaram problemas como hospedagem ou alimentação devido a voos cancelados podem ficar sem a reparação que esperavam.

Essa decisão foi motivada por um pedido da Azul Linhas Aéreas e da Confederação Nacional do Transporte, que mencionaram a insegurança jurídica e a quantidade excessiva de processos judiciais. Os números são alarmantes: há uma ação judicial para cada 227 passageiros transportados no Brasil, enquanto nos Estados Unidos essa proporção é de uma ação para cada 1,2 milhão de passageiros. É claro que essa realidade gera preocupações sobre o acesso à justiça, mas também sobre o bolso do consumidor.

Impactos diretos no consumidor

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) apoiou a decisão do STF, argumentando que o CBA segue padrões internacionais e deveria ser a norma a ser adotada. Mas a própria agência admitiu que essa onda de processos tem um custo que acaba sendo repassado para os passageiros. O diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, destacou que algumas companhias aéreas, inclusive de baixo custo, estão gastando mais com questões jurídicas do que realmente lucram no Brasil. Isso significa que, se a responsabilidade das empresas for reduzida em situações de força maior, os consumidores podem acabar enfrentando tarifas mais altas e menos proteção.

Concorrência e oferta de voos

O excesso de processos pode desencorajar novas companhias a entrarem no mercado brasileiro, o que pode resultar em menos concorrência e, consequentemente, em menos opções de voos para os passageiros. Enquanto alguns especialistas acreditam que a suspensão das condenações por questões climáticas é um passo positivo, eles também reconhecem que isso deixa os consumidores mais expostos até que o STF tome uma decisão final.

Medidas para reduzir custos das aéreas

Em uma tentativa de aliviar os custos das companhias aéreas, o Camex (Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) aprovou o uso do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) como garantia para o financiamento da compra de querosene de aviação. Com isso, cada empresa poderá acessar até R$ 2 bilhões por ano em garantias. Essa medida visa não apenas reduzir as taxas de juros do crédito, mas também o custo do combustível, que representa cerca de 40% do valor das passagens aéreas.

O governo federal destacou que todas as companhias que operam voos regulares poderão solicitar essa garantia, o que pode impactar positivamente o preço das passagens. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, explicou que essa é uma parte de um pacote maior que busca diminuir as despesas operacionais das empresas e aliviar o bolso do passageiro.

No entanto, em contrapartida ao uso da garantia pública, as empresas precisarão adotar medidas específicas para reduzir suas emissões de carbono, como investir em combustíveis sustentáveis. Essa estratégia não só busca fortalecer o mercado de aviação brasileiro, mas também contribuir para um futuro mais sustentável.

Essas mudanças e decisões estão moldando o cenário da aviação no Brasil, e é importante que os consumidores fiquem atentos a essas novidades, pois elas podem impactar diretamente na experiência de viajar.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo