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Edital no Paraná prevê investimento de R$ 19 milhões em café

Recentemente, uma informação chamou a atenção em relação ao café que será servido aos servidores do Governo do Paraná. O Pregão Eletrônico nº 501/2025 estabelece um limite de R$ 18.910.674,20 para a compra de quase meio milhão de pacotes de café de 500g. Isso significa que o governo planeja adquirir 498.432 pacotes, totalizando mais de 249 toneladas do produto.

Essa compra não é para um ou outro gabinete, mas sim para 50 órgãos estaduais, incluindo universidades, delegacias e hospitais, espalhados por 183 endereços diferentes. A quantidade foi calculada para atender a demanda anual de cada órgão. Se pensarmos na prática, o valor máximo que o governo pretende gastar com café daria aproximadamente R$ 51,8 mil por dia. A Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (SEAP) explica que a compra centralizada é uma forma de economizar e garantir um padrão de qualidade, evitando a necessidade de 50 licitações separadas. Essa estratégia está em linha com a meta do governo de cortar R$ 2 bilhões em gastos públicos neste ano.

O consumo de café pelos servidores

Mas, afinal, quanto café isso representa? Para ter uma ideia, um pacote de 500g do Café Pilão, por exemplo, rende cerca de 25 doses de café expresso, considerando 20g de pó por dose. Isso dá aproximadamente 1,25 litro de café por pacote, ou seja, uma garrafa inteira. Com a compra de 249.216 kg de café, a estimativa é que ao longo do ano sejam servidas cerca de 12,46 milhões de xícaras, ou 623 mil litros de café. Isso significa que, diariamente, serão preparadas em média 1.366 garrafas de café de 1,25 litro cada, o que equivale a cerca de 7 a 8 garrafas por dia em cada um dos 183 pontos de entrega.

Esse volume todo é suficiente para atender mais de 8.700 funcionários, considerando que cada brasileiro consome, em média, 1.430 xícaras de café por ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Assim, o consumo dos servidores representa apenas 5% do total de 154 mil servidores ativos do Governo do Paraná.

Quem mais vai beber café?

De acordo com o edital, o órgão que mais vai consumir café é o Departamento de Polícia Civil, que pediu 120 mil pacotes, correspondendo a 24,07% do total. Outros órgãos com demanda significativa incluem o Fundo Estadual de Saúde do Paraná, com 42 mil unidades, a Universidade Estadual de Maringá (UEM), com 23.640 unidades, e o Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná (DEPP), com 15 mil unidades.

Para garantir que a compra seja competitiva e a logística de entrega funcione bem, a licitação foi dividida em cinco lotes. Três desses lotes são reservados para Microempresas, Empresas de Pequeno Porte e Microempreendedores Individuais, incentivando a participação de pequenos negócios. A SEAP também informou que, se a compra for realizada, as entregas serão feitas de forma parcelada, conforme a necessidade de cada órgão. Essa estratégia evita a formação de grandes estoques e ajuda a controlar o uso dos recursos.

Os preços do café

Sobre os preços, o edital estipula que o valor máximo para os pacotes de café gourmet é de R$ 39,60 e, para o café tradicional, R$ 28,60. A inclusão do café tradicional segue um decreto estadual que garante uniformidade na aquisição dos produtos.

No primeiro lote, por exemplo, 418.621 pacotes de café superior estão cotados a R$ 39,60 cada, enquanto 56.405 pacotes de café tradicional custam R$ 28,60 cada. As marcas que participam da licitação precisam fornecer amostras para análise técnica, para garantir que atendam aos padrões de qualidade.

Entretanto, algumas marcas já foram reprovadas em avaliações iniciais. Por outro lado, duas marcas de café tradicional passaram nos testes, com uma delas, o Café Odebrecht, oferecendo um preço de R$ 17,00 por unidade, que é bem abaixo do esperado, com um desconto significativo.

Essa movimentação mostra como a gestão pública pode ser complexa, mas também como há espaço para a participação de pequenos negócios e a busca por eficiência nas compras do governo.

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