Curitiba e Região

Engenheira desmata 300 mil m² de área protegida no Paraná

Nesta quarta-feira (1°), uma operação da Polícia Civil em Curitiba resultou na prisão da engenheira Elisa Caroline Soares. Ela é suspeita de estar envolvida em um esquema de fraudes relacionados a licenças ambientais no Paraná. A investigação começou após auditorias internas e denúncias feitas pelo Instituto Água e Terra (IAT).

De acordo com Ivonete Coelho da Silva Chaves, diretora de Licenciamento e Outorga do IAT, Elisa apresentava laudos falsos e usava documentos de pessoas já falecidas para obter vantagens. A engenheira alegava que estava executando obras de paisagismo, o que a ajudava a contornar a necessidade de licenciamento. No entanto, segundo o delegado Guilherme Dias, os resultados foram bem diferentes: ela conseguiu a liberação e construiu condomínios em áreas de proteção ambiental.

As fraudes não só permitiram a construção irregular, mas também facilitaram o transporte e descarte ilegal de resíduos. Além disso, estima-se que mais de 300 mil metros quadrados de área foram desmatados. O delegado ainda destacou que foram encontrados empreendimentos em reservas hídricas, o que poderia comprometer nascentes e o abastecimento de água na região de Curitiba.

Após a descoberta das irregularidades, a Polícia Civil identificou mais de 230 licenciamentos ambientais obtidos de forma ilegítima nos últimos cinco anos. Calcula-se que Elisa tenha lucrado cerca de R$ 2 milhões com este esquema. Além da prisão, a operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão. Ela deve responder por falsificação de documentos, inserção de dados falsos em sistemas de informação, desmatamento da Mata Atlântica e fraude em licenciamento ambiental.

Os proprietários das áreas afetadas também têm a responsabilidade de restaurar todos os danos, conforme orientações do IAT. A equipe da reportagem tentou contato com a defesa de Elisa, mas até o momento não obteve resposta.

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