Entenda como se formam os tornados e o impacto em Rio Bonito
Na sexta-feira, 7 de novembro, um tornado devastador atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Oeste do Paraná. O fenômeno causou a morte de seis pessoas e deixou mais de 430 feridos. Esse foi um dos tornados mais intensos já registrados no estado e trouxe uma destruição sem precedentes para a cidade.
Os tornados têm características distintas em comparação com ciclones extratropicais, que costumam causar chuvas e ventos fortes. Eles são fenômenos muito mais localizados, difíceis de prever e geralmente se formam rapidamente, durando poucos minutos. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o tornado em questão foi resultado de uma supercélula. Esse tipo de tempestade ocorre em condições atmosféricas instáveis e com grande variação na velocidade do vento.
Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar, explica que essa supercélula gerou um tornado que causou danos severos em Rio Bonito do Iguaçu. Foram registrados tombamentos de veículos, quedas de árvores inteiras e até casas foram destruídas. A classificação do tornado foi baseada nos danos observados e nas imagens de radar.
Dentro dessas supercélulas, existe uma corrente de ar em espiral chamada mesociclone. Esse movimento acontece nas camadas médias da atmosfera e, quando o ar quente e úmido sobe rapidamente, cria as condições ideais para a formação de tornados. No entanto, nem toda supercélula resulta em um tornado. Muitas vezes, elas podem gerar granizo grande, ventos fortes ou microexplosões, que são ventos descendo rapidamente da nuvem.
O tornado que passou por Rio Bonito do Iguaçu foi inicialmente classificado como F2 na escala Fujita, o que corresponde a ventos entre 180 e 250 km/h. Contudo, o Simepar está investigando se algumas rajadas podem ter ultrapassado essa velocidade, podendo elevar a classificação para F3, que varia entre 250 e 330 km/h. Vale lembrar que em 1997, o Paraná já havia registrado um tornado F3 em Laranjeiras do Sul. Mais recentemente, em setembro, confirmou-se a ocorrência de um tornado F1 em Santa Maria do Oeste, com ventos de até 180 km/h.
A classificação dos tornados é feita com base nos danos observados e na velocidade estimada dos ventos. Meteorologistas analisam imagens de radar e satélite durante o evento, além dos estragos deixados em seu rastro. Os tornados são classificados segundo as escalas Fujita (F0 a F5) e Fujita Aprimorada (EF0 a EF5), que avaliam o nível de destruição em estruturas e vegetação. Ambas as escalas vão de 0, que representa danos leves, a 5, que indica destruição catastrófica.
A Escala Fujita Aprimorada, adotada em 2007, oferece uma abordagem mais precisa para classificar os tornados. Ela utiliza indicadores de danos específicos e critérios de engenharia atualizados, permitindo uma relação mais confiável entre os estragos observados e a velocidade dos ventos. Essa nova metodologia ajuda os meteorologistas a avaliar com mais precisão a força de um tornado a partir do impacto real que ele causa no ambiente.




