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Estudo da UFPR revela presença de plásticos no litoral do Paraná

Um estudo recente do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR) trouxe à tona uma questão preocupante: o lixo marinho, especialmente o plástico, está fazendo estragos na vida marinha. Durante os meses mais frios do ano, quando o litoral paranaense recebe um grande número de animais migratórios, a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) encontrou várias espécies em situação crítica. Entre elas, tartarugas-verdes e pinguins-de-Magalhães debilitados, que foram levados para tratamento no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde de Fauna Marinha da UFPR (Cred-UFPR). Muitos desses animais apresentavam fragmentos de plástico em seus corpos.

A situação das tartarugas-verdes, por exemplo, é alarmante. A ingestão de plástico afeta a digestão e pode levar à subnutrição. A médica veterinária Carolina Jorge, que faz parte da equipe do PMP-BS/UFPR, compartilha que esses casos são cada vez mais comuns. “Já registramos animais que chegaram vivos ao Cred, mas não conseguiram sobreviver. O plástico causa obstruções e inflamações, e em muitos casos, isso pode resultar na morte. Cada pedaço de resíduo que chega ao mar é uma ameaça real para a vida marinha”, explica Carolina.

Os atendimentos realizados no Cred são detalhados e metódicos. Cada animal passa por uma série de exames clínicos, laboratoriais e de imagem, o que ajuda a entender não apenas o estado de saúde dele, mas também os impactos do lixo marinho em todo o ecossistema. A equipe não se limita ao resgate; ela também se dedica à reabilitação, pesquisa e à conscientização sobre o meio ambiente.

Liana Rosa, bióloga e gerente operacional do PMP-BS/UFPR, destaca que os atendimentos têm um valor duplo: além de salvar vidas, eles geram dados importantes. “Nosso objetivo é devolver cada animal à natureza, mas também transformar cada atendimento em conhecimento científico que ajude a entender os impactos da atividade humana nos oceanos e a criar estratégias para reduzir essas ameaças”, conta Liana.

A tecnologia tem sido uma grande aliada nesse trabalho. A pesquisadora Vitória Iurk, do LEC-UFPR, explica que o plástico libera substâncias químicas que afetam a saúde dos animais, com consequências que podem variar de imediato a a longo prazo, como a imunossupressão já observada em tartarugas marinhas. Camila Domit, coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, reforça a necessidade de investir em novas tecnologias. “A poluição plástica está presente na vida marinha de várias maneiras. Compreender como isso afeta a saúde dos animais e os riscos para os humanos é um desafio que precisamos enfrentar”, afirma.

No litoral paranaense, a equipe do PMP-BS/UFPR constatou que os resíduos plásticos chegam até mesmo em áreas remotas, trazidos pelas correntes marinhas. Mariana Lacerda, bióloga, ressalta que os dados obtidos precisam ser vistos sob uma perspectiva global. “O que observamos aqui no Paraná é apenas um reflexo de uma crise muito maior. Resgatar e reabilitar animais é fundamental, mas precisamos abordar a raiz do problema, promovendo mudanças nos processos de produção e consumo, além de políticas públicas que garantam uma gestão de resíduos mais eficiente. Assim, conseguiremos oceanos mais saudáveis no futuro.”

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