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Gestão privada por 25 anos no canal do porto de Paranaguá

Na última quarta-feira, um marco importante foi alcançado para o Porto de Paranaguá, no Paraná. O Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD), formado pela empresa brasileira FTS e pelo grupo belga DEME, ganhou um leilão inédito para a concessão do Canal de Acesso ao porto. Este é um passo pioneiro no Brasil, pois é a primeira vez que a gestão de canais aquaviários que levam a portos públicos será feita pela iniciativa privada.

O contrato firmado tem duração de 25 anos e prevê um investimento de R$ 1,23 bilhão para melhorar e manter o canal, que terá sua profundidade aumentada de 13,3 metros para 15,5 metros. O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, acompanhou o leilão e destacou a importância das obras em andamento no porto. Entre elas, estão o novo Moegão ferroviário e o futuro Píer em T, que prometem ampliar a capacidade operacional do local.

Essas melhorias são bem-vindas, pois, segundo Ratinho Junior, o novo Moegão deve aumentar em 35% a movimentação de cargas, enquanto o novo píer trará quatro berços adicionais e vai se tornar o maior corredor de transporte via correia do mundo. Com o canal de acesso renovado, a expectativa é que a movimentação de cargas aumente ainda mais e que os custos para os usuários sejam reduzidos em 12%.

### Como funciona o modelo de concessão

Este novo modelo de concessão é diferente dos anteriores. Aqui, a responsabilidade pela dragagem e manutenção do canal passa para a iniciativa privada. O CCGD terá metas claras sobre profundidade, desempenho e redução de custos, o que promete trazer mais eficiência e previsibilidade financeira para o setor. Quatro grupos participaram do leilão: Jan De Nul (Bélgica), Consórcio CCGD (Bélgica), CHEC Dredging (China) e DTA Engenharia (Brasil). O critério de escolha foi o maior desconto oferecido na tarifa Inframar, que é cobrada das embarcações que usam o canal. O consórcio vencedor ofereceu um desconto de 12,63% e também se destacou pelo maior valor de outorga, de R$ 276 milhões.

Além desse valor, o CCGD terá outros compromissos financeiros, como R$ 86 milhões de outorga fixa por ano e 3% da sua receita anual, tudo isso revertido em novos investimentos no Porto de Paranaguá.

### O que muda com a concessão

Com a concessão, o foco será nos primeiros cinco anos, onde o investimento de R$ 1,23 bilhão será aplicado para ampliar e explorar o canal que conecta o Porto de Paranaguá ao mar. O aprofundamento do Canal da Galheta permitirá que embarcações maiores atracem, o que significa menos custos logísticos e mais competitividade para o setor.

Com a nova profundidade de 15,5 metros, o canal superará os portos de Santos e Santa Catarina, que têm uma média de 14,5 metros. O CCGD também ficará responsável por dragagens permanentes e pela manutenção da segurança das manobras. Eles poderão ajustar a tarifa Inframar conforme as melhorias forem implementadas.

### Importância do Canal da Galheta

Localizado ao sul da Ilha do Mel, o Canal da Galheta é o principal acesso ao Porto de Paranaguá desde a década de 1970. Ele foi criado para permitir a passagem de embarcações maiores e é crucial para o escoamento da produção agroindustrial do Paraná e de estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina.

Com o aprofundamento planejado, a expectativa é que o volume de carga por embarcação aumente consideravelmente. De acordo com a Portos do Paraná, dois metros a mais de calado podem significar, em média, mil contêineres adicionais ou 14 mil toneladas a mais de produtos por navio, sem custo extra para quem exporta.

Essas mudanças prometem não apenas revolucionar o transporte marítimo na região, mas também trazer benefícios diretos para a economia local e nacional.

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