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Governo Bolsonaro só comprou metade das doses das vacinas que anunciou

O Ministério da Saúde admitiu que das 560 milhões de doses das vacinas contra a Covid-19 anunciadas pelo órgão, apenas metade, ou 280 milhões de doses estão realmente contratadas. A revelação foi feita a partir de resposta do ministério a pedido de informações do deputado federal paranaense Gustavo Fruet (PDT).

Em peças de propaganda e em declarações públicas do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a pasta diz já ter comprado mais de 560 milhões de doses. Em 24 de março, a Saúde divulgou no Twitter vídeo de 30 segundos informando que “já foram comprados mais de 560 milhões de doses” de vacinas. No dia 31, Queiroga repetiu o número. “O governo federal já tem contratados mais de 560 milhões de doses de vacina”, disse ele, após reunião do comitê de combate à covid.“(Mas) é claro que não dispomos dessas doses no departamento de logística do Ministério da Saúde, até porque há uma carência de vacinas a nível internacional”, disse.
Questionada oficialmente por Fruet, a Saúde reconheceu que a informação não procede. Na resposta, a área técnica do ministério informou que já havia 281.023.470 doses contratadas e disse que 281.889.400 estão “em fase de negociação”. Na conta das vacinas ainda em negociação, a maioria é de doses da Oxford AstraZeneca e fabricação pela Fiocruz. Segundo a pasta, são esperados 210 milhões de unidades até o fim do ano, mas até hoje não há contrato assinado.

A resposta ao Congresso é assinada por Lauricio Monteiro Cruz, diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do ministério, em 12 de abril. “Houve a efetiva compra/negociação de 560 milhões de doses ou apenas o indicativo de intenção de compra?”, questionou Fruet no pedido. Segundo o ofício da pasta, “pode-se afirmar que das 575.912.870 doses destinadas para atendimento das ações do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra covid, já foram contratadas 281.023.470 doses”.
Em outro trecho do documento, o chefe da assessoria de Comunicação Social da Saúde, Carlos Eduardo de Souza Gomes Fonseca, disse não ter havido despesas para a produção e distribuição de publicidade nas redes sociais. A pasta gastou, porém, R$ 1,1 milhão para divulgar na TV “publicidade que ressalta o compromisso do governo federal em vacinar toda a população”. No dia 25, o ministério fez sete inserções sobre o tema nas TVs Globo, Record, SBT, Band e RedeTV.

“É o primeiro documento oficial que a gente recebe deste ministro. O que vamos fazer é comparar o que ele diz nesta resposta agora com o informado (por ministros anteriores). E ver se isso (compra de vacinas) vai se concretizar nos próximos meses”, disse Fruet.

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