Incêndio em prédio de Cascavel teve causa acidental
Quarenta dias após o incêndio no 13º andar do Condomínio Residencial João Batista Cunha, em Cascavel, a comunidade ainda se recupera do susto. O ocorrido deixou cinco pessoas feridas, sendo três delas em estado grave. Na manhã desta terça-feira (25), o delegado da Polícia Civil, Ian Leão, divulgou o laudo pericial sobre as causas do incêndio em uma coletiva à imprensa.
O laudo revelou que o fogo começou na cozinha, mas não foi possível identificar a causa exata. Entre as hipóteses levantadas estavam a possibilidade de uma vela acesa ou uma panela esquecida no fogo. No entanto, nada foi confirmado. O delegado destacou que o incêndio não foi intencional e que a origem das chamas ocorreu em um local próximo à geladeira e a um armário. A gravidade da situação dificultou a identificação precisa do que havia provocado o incêndio.
Além da perícia da Polícia Científica, o Grupo de Diligências Especiais (GDE) também esteve no local coletando informações durante o inquérito. O delegado explicou que o laudo não encontrou indícios de curto-circuito ou a presença de agentes acelerantes, o que indicaria que não se tratou de um incêndio doloso. Apesar de ter sido confirmado o incêndio, a origem e o motivo que iniciaram as chamas continuam sem explicação.
Ian Leão afirmou que, segundo o perito, o incêndio foi acidental. O laudo será adicionado ao processo, servindo como uma prova sólida. Ele ressaltou que o perito possui métodos adequados para analisar as causas, e a falta de identificação não se deve à falta de recursos. O delegado também comentou sobre a possibilidade de uma vela ou panela esquecida, afirmando que não foram encontrados vestígios que confirmassem essas teorias. Quando um inquérito não encontra autoria ou materialidade de um crime, o delegado sugere ao Ministério Público o arquivamento do caso.
O incêndio, que ocorreu na manhã do dia 15 de outubro, chocou a todos, especialmente pelas cenas dramáticas do resgate das vítimas. Mãe e filha, além de uma criança de apenas 4 anos, ficaram trancadas dentro do apartamento em chamas e precisaram se pendurar na área do ar-condicionado para escapar. A advogada Juliane Vieira, de 28 anos, foi fundamental nesse resgate, ajudando a retirar os outros do imóvel. Ela acabou sendo socorrida pelo Tenente Edemar Migliorini, que entrou no apartamento em chamas para resgatá-la. Infelizmente, Juliane permanece internada no Centro de Tratamento de Queimados em Londrina, com 63% do corpo queimado.
As outras vítimas estão se recuperando. Sueli, a mãe de Juliane, recebeu alta no dia 26 de outubro, e o pequeno Pietro deixou o hospital após 15 dias de internação. O sargento Edemar, que também se feriu durante o resgate, teve alta logo após o internamento e passou por cirurgia. Outro bombeiro, cabo Leandro Batista, sofreu ferimentos nas mãos, mas já se recupera em casa.
No final de outubro, o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior, anunciou a compra de uma nova plataforma elevatória de combate a incêndios para Cascavel. Essa aquisição foi motivada pelo crescimento da cidade e pela tragédia recente. O equipamento, que custará cerca de R$ 10 milhões, é um caminhão importado de última geração, capaz de alcançar 56 metros de altura, ideal para prédios de até 18 andares. A chegada da plataforma está prevista para outubro do próximo ano e promete aumentar a segurança na Região Oeste, diminuindo o tempo de resposta em situações críticas. Atualmente, apenas Curitiba, Maringá e Londrina contam com esse tipo de equipamento no estado.




