Juiz da Lava Jato em Curitiba é suspeito de furto de champanhe
Na última quarta-feira, 22 de outubro, o juiz federal Eduardo Appio, que já passou pela Lava Jato e tinha uma postura crítica em relação a alguns métodos da operação, se viu no centro de uma polêmica. Ele é investigado por supostamente ter furtado garrafas de champanhe em um supermercado em Blumenau, Santa Catarina. Quando procurado pela imprensa, Appio disse que ainda não tinha informações sobre o caso e que estava buscando entender melhor a situação.
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou que recebeu uma notificação da Polícia Civil de Santa Catarina sobre o juiz e que tomará as medidas necessárias. Autoridades da polícia revelaram que existem imagens de câmeras de segurança que podem ter registrado o incidente. O TRF-4 ressaltou que a investigação será feita de forma sigilosa. Em casos como esse, o tribunal normalmente inicia um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado.
Eduardo Appio atuou na 13ª Vara de Curitiba, conhecida como a “Vara da Lava Jato”, entre fevereiro e maio de 2023. Durante sua atuação, ele fez críticas abertas aos métodos utilizados na operação, que começou em 2014, e questionou a postura de figuras como o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol. Appio chegou a assinar decisões polêmicas e enfrentou um pedido de suspeição do Ministério Público Federal (MPF), que levantou questões sobre seus laços com lideranças do PT.
Uma das situações que levantou mais questionamentos sobre Appio foi uma ligação que ele fez para o advogado João Eduardo Barreto Malucelli, sócio de Sergio Moro em um escritório de advocacia. Na conversa, Appio se passou por outra pessoa para tentar descobrir se João Eduardo era filho ou sobrinho do desembargador federal Marcelo Malucelli, que na época era relator de processos da Lava Jato. Publicamente, Appio negou ter feito a ligação, mas admitiu durante uma entrevista em setembro de 2024 que estava tentando esclarecer questões de isenção no julgamento de casos que envolviam Rodrigo Tacla Duran, um advogado que era adversário de Moro.
Esse episódio resultou em um processo disciplinar contra Appio na Corregedoria do TRF-4, mas ele conseguiu transferir a análise do caso para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A situação de Appio continua a ser monitorada, enquanto ele lida com as repercussões de suas ações, tanto na esfera judicial quanto na opinião pública.




