PARANÁ

Laboratório no Paraná vai cultivar sementes de ostra

Guaratuba, uma das joias do litoral paranaense, vai ganhar um laboratório dedicado à pesquisa e produção de sementes de ostra cultivada. Essa nova unidade será instalada no Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que fica em Pontal do Paraná. Para dar um empurrãozinho nesse projeto, o governo do estado anunciou um investimento de R$ 3 milhões.

Esse projeto foi apresentado no final do ano passado e tem como objetivo criar um sistema moderno para produzir sementes que se adaptem melhor às condições do nosso litoral. Essas sementes serão disponibilizadas para maricultores de várias cidades, como Antonina, Guaraqueçaba, Guaratuba, Matinhos, Paranaguá e Pontal do Paraná. Uma das inovações mais legais é que os produtores poderão usar um aplicativo para acompanhar o desenvolvimento das sementes, além de contar com ferramentas de Inteligência Artificial para facilitar o cultivo.

Investimentos e Estrutura

Os recursos vêm do Fundo Paraná, que faz parte da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). A Fundação Araucária vai gerenciar esse dinheiro e repassar para a Fundação de Apoio da UFPR (Funpar), que ficará responsável pelas etapas administrativas do projeto. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) também estarão envolvidos, ajudando com treinamento e monitoramento.

Dessa quantia total, R$ 1,14 milhão será usado para comprar equipamentos de ponta. Isso inclui sistemas de tratamento e filtragem de água e até microscópios de alta precisão. O restante, R$ 1,85 milhão, será destinado a custeio, com uma parte significativa para a concessão de 14 bolsas de iniciação científica, mestrado e pós-doutorado, que vão durar de um a três anos.

Como Será o Laboratório

O laboratório terá uma estrutura bem organizada, dividida em setores que cuidam das fases iniciais das ostras, da produção do alimento que elas consomem e do crescimento das sementes. Com tecnologia avançada, o laboratório funcionará o ano todo, independentemente da época reprodutiva das ostras. O professor Francisco José Lagreze Squella, que coordena a ação, enfatiza como a tecnologia pode ajudar os produtores. “Com o aplicativo, eles poderão acompanhar o crescimento das sementes e receber alertas sobre o manejo, além de dados sobre a qualidade da água”, explica.

O projeto também inclui o desenvolvimento de sistemas com visão computacional para monitorar o crescimento das sementes e otimizar a alimentação das larvas. Isso vai ajudar os pesquisadores a tomarem decisões baseadas em dados, o que pode levar a linhagens de ostras com melhor desempenho e maior taxa de sobrevivência.

Benefícios para a Comunidade

Estudos da UFPR mostram que usar reprodutores da própria região melhora a eficiência e a sustentabilidade do cultivo, ajudando na recuperação das populações naturais de ostras. A expectativa é que cerca de 500 produtores paranaenses possam trabalhar com mais previsibilidade, reduzindo a dependência da coleta de sementes em manguezais.

Além de produzir sementes, o laboratório também será um espaço de capacitação. Cursos, oficinas e atividades práticas serão oferecidos para aproximar a universidade do setor produtivo. Também estão previstas publicações de artigos científicos e seminários para promover a troca de experiências com outros centros de pesquisa. Bolsistas e pesquisadores terão a chance de desenvolver estudos sobre automação e Inteligência Artificial na produção de moluscos, contribuindo para um futuro mais sustentável e inovador nesse segmento.

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