O impacto da pressa e da imprudência no trânsito
A mobilidade urbana é um ponto-chave para o crescimento das cidades. Cada um de nós, ao longo do dia, traça um verdadeiro mapa de deslocamento. Vamos do trabalho para casa, da casa para o supermercado, da escola para o lazer. E, para isso, usamos diferentes meios de transporte: carros, motos, bicicletas, transporte público e até os “elétricos”. Mas, em essência, todos somos pedestres. Quando estacionamos o carro e atravessamos uma rua, deixamos de ser motoristas e nos tornamos os mais vulneráveis no trânsito. Um pequeno descuido pode acabar resultando em acidentes sérios.
Infelizmente, a pressa e a rotina corrida contribuem para que ocorrências como essas aconteçam diariamente. É uma triste realidade: em média, um atropelamento acontece a cada dia. O Siate, que atende as vítimas de trânsito, tem atuado incansavelmente, sempre que chamado. Só na última semana, foram registrados oito atropelamentos, afetando adultos e idosos.
Um dos casos mais impactantes ocorreu na noite de terça-feira (25). Dois pedestres tentavam atravessar a marginal da BR-277 quando foram atingidos por uma moto. O motociclista não desviou e não reduziu a velocidade, resultando em ferimentos graves para os pedestres — um deles com uma fratura exposta. Todos foram levados para o hospital, mais uma lembrança triste da imprudência no trânsito. Desde janeiro, o Siate já atendeu a 149 atropelamentos, um número um pouco menor que o do ano passado, mas que ainda preocupa.
Atenção ao atravessar
Luciane de Moura, presidente do Comitê Intersetorial de Prevenção e Controle de Acidentes de Trânsito (Cotrans), destaca que a quantidade de acidentes com pedestres tem levado a ações de fiscalização e campanhas educativas. Ela ressalta a importância de atravessar a rua com atenção. Usar fones de ouvido ou mexer no celular enquanto cruza a via é um risco real. Muitas ruas possuem botoeiras que acionam o sinal para pedestres, facilitando a travessia com segurança. Mas, mesmo assim, a falta de atenção ainda está entre as principais causas de atropelamentos. E, claro, os motoristas também precisam redobrar a cautela. O trânsito exige cuidado de todos.
Justiça por Nando
O caso do atropelamento de Fernando Lorenzo Souza Gehlen, conhecido como “Nando”, está próximo de ter um desfecho. O julgamento da motorista acusada de atropelá-lo e causar sua morte acontece na terça-feira, 2 de dezembro. O acidente, que ocorreu em junho do ano passado, gerou grande repercussão. Nando foi atingido quando a motorista avançou a preferencial e subiu na calçada. Para a mãe dele, Mônica, essa luta por justiça trouxe a criação da Praça da Paz, um espaço que simboliza amor e conscientização sobre a importância da educação no trânsito.
Cuidado nas rodovias
Quando se fala de rodovias, os atropelamentos costumam ter consequências ainda mais graves, devido à velocidade dos veículos. Um caso chocante aconteceu no fim de setembro, quando duas adolescentes, Maria Eduarda e Emily, foram atropeladas enquanto tentavam atravessar a BR-369. Ambas eram menores aprendizes e estavam de mãos dadas. O acidente reacendeu os alertas sobre os riscos nas travessias de áreas movimentadas.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 30 pessoas perderam a vida em atropelamentos nas rodovias da região de Cascavel neste ano. Foram 134 acidentes, com 53 feridos. O inspetor Edir Veroneze pede aos motoristas que tenham cuidado e prudência, especialmente em locais considerados perigosos. A PRF tem intensificado operações na BR-369 devido ao alto número de acidentes.
Um dos trechos mais críticos é entre Cascavel e Corbélia, que não conta com passarelas, levando pedestres a atravessarem em locais arriscados. Isso se torna ainda mais alarmante quando observamos pessoas correndo ou pulando muretas. É um lembrete de que a segurança no trânsito depende de todos nós.




