Um mês após a tragédia, inicia a reconstrução das casas
Neste domingo, 7 de dezembro, faz um mês que um tornado devastou a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, localizada a cerca de 160 km de Cascavel, no Centro-Sul do Paraná. Desde aquele dia, a cidade se mobilizou intensamente. Primeiro, foi necessário limpar os escombros e restabelecer os serviços. Agora, a comunidade começa a se reerguer de forma mais estruturada.
O tornado, classificado como F4 na Escala Fujita, causou uma tragédia que resultou na morte de sete pessoas e deixou muitas outras feridas, algumas com gravidade. Para os moradores, os 15 minutos em que o fenômeno passou mudaram suas vidas para sempre. Imagens impressionantes do tornado, com ventos de até 330 km/h, chocaram o país, mostrando a força da natureza e a devastação que deixou em uma cidade de pouco mais de 14 mil habitantes.
### Reconstrução em andamento
Nesta semana, a cidade começou a ver resultados práticos com o início da construção de 320 casas, uma parceria entre o Governo do Estado e a empresa Tecverde, que vai entregar moradias pré-moldadas. A Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná) está gerenciando todo o processo, desde o cadastramento das famílias afetadas até a vistoria de mais de 1,5 mil imóveis. O investimento total é de aproximadamente R$ 44 milhões.
As famílias que tinham terrenos adequados receberão novas casas no mesmo local. Para aqueles que não têm uma área própria, a Prefeitura doou um espaço que está sendo preparado para receber as novas moradias. Já foram limpos e nivelados oito lotes, e a obra seguirá um cronograma que permitirá a construção de mais casas à medida que novas áreas forem liberadas.
### Detalhes das novas casas
As novas residências serão construídas com o sistema wood frame, que acelera o processo de construção. Cada casa terá sala, cozinha, dois quartos, banheiro e área de serviço, com tamanhos que variam entre 45 m² e 50 m². A primeira fase da obra envolve a fundação rasa, onde já são embutidas as instalações elétricas, hidráulicas e de gás. Depois, com o concreto curado, começam a montagem das paredes e, em seguida, o telhado e acabamentos.
### Auxílio às famílias
Além das novas moradias, o Governo do Estado está oferecendo um auxílio de R$ 1 mil para as famílias mais vulneráveis. Até agora, esse benefício já foi pago a 1.475 famílias e continuará por até seis meses, ajudando na reorganização da vida após a tragédia. O programa “Superação”, coordenado pela Sedef (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social e Família), garante suporte financeiro e ajuda os moradores a retomar suas rotinas.
Os beneficiários são cadastrados em espaços de atendimento na cidade, e após a verificação dos dados, a lista é enviada ao Banco do Brasil para os depósitos. Para quem não tem conta no banco, uma Poupança Social é aberta automaticamente. Além disso, 410 cartões de “Reconstrução” já foram distribuídos, permitindo que as famílias tenham acesso a até R$ 50 mil para reformar suas casas.
### A intensidade do tornado
Inicialmente, o tornado havia sido classificado como F3, mas um laudo técnico do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) elevou essa classificação para F4, considerando a intensidade e os danos causados. O relatório, com mais de 130 páginas, analisou a situação em 11 cidades do Paraná e concluiu que o evento foi um dos mais significativos dos últimos 30 anos no estado.
O laudo destacou que fatores como um ciclone extratropical e a instabilidade atmosférica contribuíram para a formação de nuvens de tempestade que se intensificaram, resultando em três tornados na região. Essa tragédia está entre os dez tornados mais violentos da história do Brasil, superando até um evento trágico em Nova Laranjeiras em 1997.
### Atendimento às vítimas
Mais de 400 profissionais, incluindo socorristas e equipes de saúde, se mobilizaram para atender as vítimas. Até o último relatório, dois moradores ainda estavam internados. As últimas quatro famílias que estavam em abrigos foram realocadas para um hotel na cidade. Ao todo, mais de 400 pessoas receberam atendimento em diferentes hospitais da região.
O trabalho foi intenso, com uma equipe dedicada de enfermeiros, médicos e técnicos cuidando das vítimas. No início, mais de 30 pessoas foram internadas, mas com o tempo esse número foi reduzido, mostrando o esforço coletivo em meio à tragédia.




